Amorim enfatizou que, frente à influência crescente das gigantes tecnológicas, osEstados não devem abrir mão de sua capacidade regulatória, a qual é legitimamente oriunda do voto popular. Essa questão sobre o poder das big techs tem gerado intensos debates em diversas partes do mundo, especialmente em virtude da capacidade das redes sociais de moldar opiniões, disseminar desinformação e impactar o mercado de trabalho.
No contexto da Conferência de Segurança Internacional do Forte, em Portugal, evento que reúne autoridades e especialistas da União Europeia e América do Sul, Amorim reforçou a importância da ciberresiliência como pilar da soberania nacional no século XXI. Para ele, sem uma sólida proteção digital, não há autonomia não só decisória, mas também confiança institucional. Os dados, conforme destacou, tornaram-se ativos vitais, sendo fundamentais para o funcionamento de modelos de IA e para decisões estratégicas em larga escala.
O embaixador também fez um alerta significativo sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais, argumentando que a tecnologia deve ser desenvolvida com foco em benefícios comuns, como a redução da pobreza, a proteção ambiental e a promoção dos direitos humanos. Ele lamentou a discrepância entre a acumulação de riqueza por algumas pessoas e a realidade de milhões que ainda enfrentam a fome no mundo.
Além disso, Amorim abordou as implicações do uso da IA em contextos de conflito bélico, destacando o desenvolvimento de armamentos autônomos. Ele indicou que a despersonalização do uso da força letal levanta dilemas morais, uma vez que a sensação de culpa associada à morte e à destruição é frequentemente perdida. O embaixador finalizou sua intervenção afirmando que o Brasil precisa investir em sua defesa para assegurar sua capacidade de dissuasão em um cenário geopolítico cada vez mais complexo e desafiador.





