INTERNACIONAL – Big Techs e Inteligência Artificial: Amorim Alerta para Ameaças às Democracias e Desigualdades Globais em Conferência Internacional em Portugal

Na última terça-feira, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, expressou preocupações contundentes sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) nas desigualdades sociais e na saúde das democracias. Durante sua participação na Conferência de Segurança Internacional do Forte, em Portugal, Amorim destacou que, quando manipulada por um pequeno número de empresas, predominantemente em nações desenvolvidas, a IA pode intensificar as disparidades globais e ameaçar os princípios democráticos.

O embaixador ressaltou que o domínio exercido por algumas “big techs”, que resistem a qualquer tipo de regulação, gera um cenário em que segmentos inteiros da economia são controlados. Ele enfatizou a importância de os Estados não abandonarem suas responsabilidades regulatórias, as quais são fundamentadas na vontade popular expressa nas urnas.

Essa questão ganhou destaque mundial, especialmente considerando o poder que as redes sociais possuem de influenciar o debate público e a facilidade com que podem propagar desinformação. O tema é objeto de intensos debates internacionais, refletindo a preocupação com os impactos dessas dinâmicas no emprego e na vida cotidiana.

No contexto da discussão sobre cibersegurança, Amorim alertou sobre a crescente frequência de ataques cibernéticos e a necessidade urgente de fortalecer a resiliência digital como um pilar fundamental da soberania nacional no século XXI. De acordo com ele, a proteção de dados tornou-se um ativo crítico que permeia aspectos econômicos, políticos e militares, exigindo um investimento em segurança digital.

Ao discutir a regulação das plataformas digitais, o embaixador defendeu que um desenvolvimento tecnológico deve priorizar o que ele chamou de “bens comuns”, como a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos humanos. Ele enfatizou a inaceitabilidade de coexistência entre trilionários e milhões de pessoas que enfrentam a fome.

Amorim também levantou uma bandeira contra o uso crescente da IA em conflitos armados, destacando que a criação de armas autônomas pode levar a uma desumanização do combate. Isso, segundo ele, compromete a responsabilidade moral que os operadores normalmente sentiriam ao exercer a força. O embaixador concluiu sua fala ressaltando a importância de o Brasil investir em capacidades defensivas para garantir sua segurança e dissuasão, diante de um cenário geopolítico volátil.

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