Governador em exercício extingue subsecretarias, incluindo de Gastronomia, após cortes que totalizam cerca de 500 exonerações no estado do Rio de Janeiro.

A recente assinatura de um decreto pelo governador interino Ricardo Couto resultou na extinção de três subsecretarias, incluindo a Subsecretaria de Gastronomia, que foi criada em julho do ano passado. Sob a liderança de Tiago Moura, um empresário ligado ao Polo Gastronômico da Zona Sul do Rio de Janeiro, a subsecretaria foi estabelecida com o objetivo de promover a gastronomia local e facilitar a comunicação entre o setor e o governo estadual. A articulação para sua criação se deu por meio do deputado federal Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, que se tornou um importante intermediário na construção desse projeto, com o apoio do então chefe da Casa Civil.

Em entrevista, Moura destacou que sua experiência no setor privado foi fundamental para estruturar a pasta, ressaltando que, ao longo de sua trajetória, ele identificou diversas necessidades no campo gastronômico e buscou articular soluções em conjunto com a prefeitura. Entre as ações realizadas pela subsecretaria, houve uma interação com organizações do setor, como o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), que reconheceu os esforços, embora lamentasse a falta de tempo para implementar mudanças mais efetivas. O presidente do SindRio, Fernando Blower, enfatizou que a subsecretaria tinha como objetivo proporcionar um canal de diálogo entre os empresários e o governo, além de buscar melhorias na regulação do setor.

Apesar das intenções iniciais, a nova administração estadual tomou medidas drásticas para reorganizar a estrutura pública, culminando na exoneração de quase 500 funcionários de cargos comissionados de governos anteriores. Essa reestruturação, que não inclui aumento de despesas, também afetou outras subsecretarias, levando à dispensa de diversos assessores e servidores.

Além da extinção de entidades, foi determinado um período de suspensão de novas contratações e licitações, afetando não apenas a Subsecretaria de Gastronomia, mas também as secretarias de Infraestrutura e Obras Públicas. O movimento é parte de uma revisão ampla dos gastos públicos na busca por uma gestão mais eficiente.

Dentro desse contexto, o relacionamento entre Couto e o ex-governador Cláudio Castro parece estar tenso. Durante uma reunião no Tribunal de Justiça, Castro expressou sua insatisfação com os cortes orçamentários e a forma como a narrativa do governo pode impactar a imagem de sua gestão anterior. O clima de incerteza se intensifica à medida que novas mudanças e exonerações continuam sendo anunciadas, com a expectativa de mais desdobramentos nos próximos dias.

Nesse cenário, o futuro da gastronomia no estado permanece incerto, com os trabalhadores do setor observando atentamente como as decisões administrativas irão impactar suas atividades e o ambiente de negócios no Rio de Janeiro.

Sair da versão mobile