Este evento, que acontece de 30 de maio a 12 de julho, aos sábados e domingos, se tornou uma vitrine da gastronomia italiana. Giovanni Vincenzo Cipriano, um dos mestres de cerimônias da festa, representa a terceira geração de sua família a participar ativamente da celebração. Para ele, a festa é muito mais do que comida; é um legado transmitido através das gerações. “Aqui vocês vão encontrar várias famílias que começaram com os avós e que agora estão aqui com os netos”, diz Cipriano, ressaltando a importância da passagem de tradições.
Entre os pratos típicos da festa, destaca-se a guimirella, um espeto de fígado enrolado em banha, assado com folhas de louro, exclusivo da festividade. Outros itens no cardápio incluem a ficazzella, uma massa frita recheada com queijo e tomate, e o ricciatelle, uma massa típica da região de Bari. Esses pratos fazem parte das receitas que os imigrantes trouxeram consigo, preservando um legado soviético ao público paulista.
Margareth Batelli Capellini, coordenadora das “mamas” da festa e primeira mulher vice-presidente da associação em 108 anos, reforça a essência da comemoração: “A nossa festa é família, amor e união.” Seu trabalho ao lado de outras voluntárias para a preparação das refeições é um exemplo do espírito comunitário que permeia o evento.
A Festa de São Vito também desempenha um papel fundamental em termos sociais. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção da Associação Beneficente São Vito Mártir, que cuida de uma creche e apoia famílias em situação de vulnerabilidade. Com expectativa de receber mais de 80 mil visitantes nesta edição, a festividade é uma autêntica celebração da cultura, receita e solidariedade.
São Paulo abriga uma das maiores comunidades de descendentes de italianos fora da Itália, com cerca de 10 milhões de pessoas. Essa conexão remete às ondas migratórias que entre 1887 e 1915 trouxeram aproximadamente 800 mil italianos para o Brasil, sendo uma parte significativa da força de trabalho nas indústrias paulistas na virada do século. Assim, a Festa de São Vito não é apenas uma celebração da cultura italiana, mas uma prova de como a imigração moldou e enriqueceu a identidade brasileira.
