Sob o governo Trump, houve uma certa ambiguidade: enquanto um olhar mais amistoso era direcionado a governos de extrema direita na América Latina, as interações com países como Brasil e Venezuela foram afetadas por políticas protecionistas, como tarifas de importação elevadas, resultando em tensões diplomáticas. O caráter hostil dessa abordagem parecia estar enraizado em um contexto de segurança nacional e econômica, mas a atual situação do Irã, considerada uma derrota para os EUA, está levando a uma reconsideração dessa postura.
Especialistas, como a doutora Flávia Loss, destacam que as tensões enfrentadas pelos americanos no Oriente Médio impactaram sua atuação na América Latina. Autores como Ana Prestes, da Universidade Federal de Minas Gerais, observam que, apesar da aparente retirada do radar dos Estados Unidos em relação à região, ações como cerco naval a Cuba e sanções permanecem em curso, sugerindo que a política externa dos EUA ainda antes um instrumento de controle e influência sobre os países latinos.
Ao mesmo tempo, a situação no Irã parece ter fortalecido a confiança de governos de esquerda na América Latina, que veem na resistência iraniana uma inspiração. Hugo Albuquerque, analista geopolítico, argumenta que a dificuldade dos EUA em lidar com o Irã está freando suas iniciativas na América Latina, permitindo que as esquerdas se mobilizem de forma mais coesa contra a administração Trump.
Recentemente, as tarifas de importação sobre o Brasil foram, em parte, revertidas. A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington representa um esforço diplomático para restabelecer um diálogo produtivo com os Estados Unidos. Essa reaproximação pode ter dividendos políticos, especialmente em um contexto eleitoral no Brasil, onde a interferecia externa é um tema sensível.
Contudo, apesar desse avanço nas relações, permanece um fundo de divergências, particularmente em relação ao papel do Brasil no BRICS e suas alianças estratégicas com a China. A habilidade dos EUA em equilibrar pressão com pragmatismo será crucial nos próximos anos, enquanto tentam reafirmar sua influência em uma região cada vez mais multipolar. A importância do Brasil, como principal economia da América Latina, fornece a ele uma posição estratégica e indiscutível nos jogos de poder globais.





