Mercado reverte quedas e ações do Inter disparam 6,67% após apresentação de planos em Nova York; analistas revisam recomendação, mas mantêm compra.

Mercado Financeiro Reflete Otimismo Moderado Após Recuperação do Inter

Na manhã desta terça-feira, 12 de maio, o mercado financeiro registrou uma mudança notável em seu comportamento, particularmente em relação às ações do Inter (INTR). Um dia após a realização do Investor Day em Nova York, que havia gerado uma onda de descontentamento entre os investidores, os papéis do banco digital conseguiram reverter a tendência negativa que se estabeleceu nos três dias anteriores.

As ações do Inter dispararam 6,67%, alcançando o patamar de US$ 6,40 na Nasdaq, destacando-se como uma das principais altas entre as fintechs brasileiras listadas nos Estados Unidos. Esse movimento de alta se deu em meio a um tom mais conciliatório dos investidores, que começaram a absorver com mais tranquilidade os desdobramentos apresentados pelo banco. Nos períodos anteriores, os papéis do Inter tinham desvalorizado quase 24%, resultado de uma recepção fria ao balanço do primeiro trimestre e a expectativas frustradas em relação ao evento do dia anterior. No acumulado dos últimos 30 dias, a queda das ações já atingia 23,35%.

O descontentamento dos investidores estava relacionado ao desempenho financeiro do Inter, que, apesar de registrar um lucro recorde de R$ 395 milhões no primeiro trimestre (alta de 37,8%), viu a inadimplência superar os 5%, gerando insatisfação. A alta na inadimplência de curto prazo, que subiu de 4,3% para 4,6%, serviu como um sinal de alerta e contribuiu para a onda de vendas que pressionou as ações para baixo.

Durante o Investor Day, o banco introduziu a “Regra dos 50”, uma adaptação da “Rule of 40” utilizada por empresas de tecnologia nos EUA. Segundo essa nova norma proposta, a soma do crescimento percentual da receita com o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deve superar 50%. O CEO João Vitor Menin reiterou o compromisso da empresa em crescer com eficiência, prevendo um ROE que deve variar entre 26% e 30% até 2029.

Entretanto, a resposta dos analistas foi de cautela. O BTG Pactual, por exemplo, revisou suas projeções de lucro para baixo, reduzindo o preço-alvo das ações de R$ 60 para R$ 51. Apesar dessa revisão, mantiveram a recomendação de compra, destacando a perspectiva de longo prazo do Inter como uma plataforma financeira digital escalável.

No cenário mais amplo das fintechs, o Agibank também se destacou, apresentando uma valorização de 3,70%, enquanto o PicPay subiu 3,29%. Contrapõem-se a essas altas as quedas do Nu Holdings e da Stone, que sofreram com leves desvalorizações.

Os índices de Wall Street, por sua vez, fecharam sem direção clara, com o Dow Jones apresentando leve alta de 0,11%, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq recuaram. As tensões geopolíticas no Oriente Médio continuaram a influenciar o clima no mercado, uma vez que o Irã elevou suas ameaças em relação aos Estados Unidos, pressionando o panorama energético global.

Esse cenário, tanto nas fintechs quanto nas bolsas americanas, ilustra a complexidade do ambiente econômico atual, marcado por incertezas e oportunidades, onde investidores buscam entender e direcionar suas apostas no mercado.

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