Segundo o analista, o cenário atual manifesta a formação de um novo mundo multipolar. As nações de médio porte, que antes eram passivas no cenário internacional, agora começam a tomar decisões de acordo com seus próprios interesses e necessidades. Essa mudança, conforme descrito por Freeman, representa uma ordem mundial mais complexa, se comparada ao equilíbrio de poder que prevaleceu na Europa durante o século XIX. Esse equilíbrio foi responsável por quase um século de estabilidade, mas, segundo ele, a certeza de que um sistema semelhante pode se manter nos dias de hoje é questionável.
As tensões recentes entre os EUA e o Irã também ilustram essa transformação. Em fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios a alvos iranianos. Contudo, um cessar-fogo foi acordado em abril, sem que houvesse uma retomada das hostilidades, apesar de ações de bloqueio nos portos do Irã. Essa dinâmica reforça a percepção de que as potências tradicionais estão enfrentando um desafio crescente na busca por influência em uma região de importância estratégica e econômica.
Freeman destaca que, em busca de uma nova ordem, a confiança dos países do Golfo na Rússia, na China e até mesmo na Índia para negociações de paz e desenvolvimento tende a aumentar. Esse novo caminho pode resultar em uma significativa reconfiguração das alianças geopolíticas e uma redefinição das relações internacionais, influenciando não apenas a dinâmica regional, mas também as interações globais à medida que nações até então relegadas a um papel secundário se afirmam como agentes ativos no cenário internacional.
Portanto, o que estamos testemunhando não é apenas uma diminuição da influência americana no Golfo Pérsico, mas um realinhamento global que promete transformar a maneira como vários países interagem entre si em um mundo que está se tornando cada vez mais multipolar e interdependente.





