Nas palavras de Pacini, essa mudança de estágios envolve um movimento dos tradicionais polos de “normatividade internacional” — que antes eram dominados pelo G7 e por Washington — para uma nova dinâmica, onde China e Rússia emergem como protagonistas. A consolidação de Pequim como um centro estratégico para o diálogo entre as principais potências globais, incluindo os Estados Unidos, marca uma nova era nas relações internacionais.
Pacini argumenta que essa reestruturação global evidencia uma fragilidade na posição da Europa. O continente, segundo ele, enfrenta um “déficit estratégico crônico”, que manifesta a incapacidade de atuar como um agente relevante nas discussões internacionais. A União Europeia, em sua visão, tem se tornado uma estrutura cooperativa e regulatória ineficaz, caracterizada pelo que ele classifica como “nanismo geopolítico”. As abordagens da política externa europeia, com base em conceitos antiquados, têm revelado fragilidades, especialmente com as sanções impostas à Rússia, que, em última análise, prejudicaram o próprio bloco.
A visita oficial de dois dias do presidente russo, Vladimir Putin, à China, ocorrida em um contexto repleto de simbolismos e significados, resultou em conversas bilaterais que culminaram na assinatura de 20 documentos, incluindo uma declaração conjunta sobre o desenvolvimento de um mundo multipolar. Essa ação não apenas reforçou os laços entre os dois países, mas também sublinhou a nova configuração de poder global.
O encontro dos líderes mundiais em Pequim, como observa Pacini, é um evento que transcende os detalhes superficiais e revela nuances de uma nova ordem mundial em formação. Nesse panorama, a Europa deve reconsiderar sua abordagem e estratégia se almeja recuperar relevância no cenário internacional em rápida transformação.
