Este levantamento faz parte da pesquisa TIC Educação, que envolveu entrevistas com 2.404 gestores de escolas, tanto públicas quanto privadas, em áreas urbanas e rurais. Os dados indicam uma crescente preocupação com os efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos, evidenciando que as escolas estão se esforçando para promover uma adoção crítica e consciente desses recursos.
Além disso, as interações entre gestores e as famílias também se tornaram mais frequentes. Em 2025, 75% dos gestores relataram ter se reunido com pais e responsáveis para discutir o uso de tecnologias no ambiente escolar, aumento considerável em relação aos 60% do ano anterior. A troca de informações sobre o uso seguro e responsável das tecnologias digitais aumentou de 56% para 75%. A inclusão da educação midiática no currículo também subiu de 46% para 67%.
Apesar desse avanço, ainda existem desafios a serem enfrentados. Cerca de 65% das escolas desenvolvem ações voltadas para o uso consciente da tecnologia, mas a presença dessas iniciativas é desigual, sendo mais comuns em instituições urbanas e que oferecem acesso a computadores. A baixa participação das famílias é citada como um dos principais obstáculos por 75% dos gestores, e a falta de materiais de apoio é uma barreira significativa para 77% das escolas que não realizam atividades nessa área.
O papel da família na mediação do uso digital pelos jovens é crucial, e 49% das escolas relataram que pais procuraram orientações para ajudar nesse aspecto. Além disso, muitas instituições têm promovido palestras sobre bem-estar e saúde mental, reforçando a importância de um diálogo contínuo.
A análise ressalta a necessidade de políticas públicas mais robustas, que integrem escola, família e comunidade, visando garantir que as tecnologias digitais sejam utilizadas de forma segura e benéfica para os jovens. A regulação do uso de ferramentas digitais e a formação dos educadores são apontadas como fundamentais para o sucesso desse processo.
Em relação ao uso de celulares, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar dispositivos pessoais para a escola. Contudo, em 40% das instituições, o uso é permitido sob regras específicas. Além disso, o uso de inteligência artificial nas atividades escolares começa a ser uma realidade, com 53% dos gestores afirmando utilizar essas ferramentas em suas rotinas, embora apenas 22% informem ter orientações claras sobre seu uso.
Esses dados refletem uma mudança de paradigma nas instituições educacionais, as quais estão cada vez mais voltadas para as questões digitais, propondo um olhar atento para as desigualdades que possam existir na oferta dessa educação e a necessidade de uma formação adequada tanto para alunos quanto para educadores e famílias.





