A atual taxa de desemprego significa que aproximadamente 6,3 milhões de pessoas estão à procura de trabalho, um aumento de 471 mil em comparação ao trimestre que se encerrou em março de 2026. Essa elevação na desocupação foi confirmada por dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal, divulgados na última quinta-feira.
Analisando as informações desta pesquisa, é possível notar que a população desocupada aumentou em 8% em relação ao trimestre anterior, no qual contava com 5,9 milhões de indivíduos sem emprego. No entanto, em comparação ao mesmo período do ano anterior, que registrou 7,1 milhões de desempregados, houve uma diminuição significativa de 11,3%, o que se traduz em menos 809 mil pessoas buscando emprego.
Em relação à população ocupada, os números não são tão alentadores. A força de trabalho caiu 0,3% desde o último trimestre de 2025, resultando em um total de 102,3 milhões de brasileiros empregados. Essa queda representa 338 mil pessoas a menos, embora, em relação ao ano anterior, tenha havido um crescimento de 1,1% — ou seja, mais 1,07 milhão de trabalhadores.
Além disso, o nível de ocupação, que mensura a porcentagem da população em idade para trabalhar que está efetivamente empregada, alcançou 58,4%, com uma leve queda de 0,3 ponto percentual em relação ao período anterior. Apesar disso, o IBGE ressalta que esse índice se manteve estável quando comparado ao mesmo período do ano passado.
Outro dado relevante é a taxa composta de subutilização, que permaneceu estável em 13,8%, mas apresentou uma diminuição significativa em comparação ao ano anterior. A população subutilizada alcançou 15,7 milhões, igualmente estável no último trimestre, mas com um notável recuo de 11,1% em relação ao ano anterior.
Em termos de rendimento, o valor médio real habitual de todos os trabalhos se manteve em R$ 3.732, um patamar recorde. Já a taxa de informalidade caiu para 37,2%, representando 38,1 milhões de trabalhadores em situação informal. Este índice, embora com uma leve queda em relação ao trimestre anterior, reflete uma realidade preocupante, que destaca a fragilidade do mercado de trabalho.
A coordenadora de Pesquisas do IBGE analisou a situação, atribuindo o aumento nas taxas de desocupação às características sazonais de alguns setores, como o comércio e serviços pessoais, que, após um aquecimento no final de 2025, não conseguiram manter seus trabalhadores. A especialista reforçou que, apesar das oscilações sazonais, a criação de empregos e renda permanece robusta em comparação a anos anteriores, sugerindo uma estrutura de mercado de trabalho mais resiliente.





