ECONOMIA – Investimentos brasileiros impulsionam setor de atendimento à demanda chinesa, favorecendo crescimento econômico e estreitamento das relações bilaterais.

O Brasil está se preparando para aproveitar as oportunidades resultantes da mudança do perfil econômico da China. O maior parceiro comercial do país asiático está buscando fortalecer seu mercado interno, o que demandará cada vez mais produtos e alimentos a baixo custo. Diante disso, o Brasil está focando em melhorar sua infraestrutura para atender essa demanda crescente da China.

Uma reunião preparatória interministerial foi realizada em Brasília nesta quinta-feira (24) como parte dos preparativos para a 7ª Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que é o principal mecanismo de diálogo entre os dois países. Durante a reunião, o ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou a importância do investimento na infraestrutura para atrair o interesse chinês. Ele ressaltou que há uma correlação direta entre os investimentos públicos e a capacidade de atrair capital privado, e que o Brasil está vivendo um ambiente favorável nesse sentido.

Segundo Filho, a China deseja modificar seu perfil econômico para fortalecer o consumo em detrimento dos investimentos internos. Isso significa que o país estará buscando investir em infraestrutura no exterior para obter produtos e alimentos mais baratos. Essa mudança cria uma sinergia com as necessidades do Brasil, que é o maior produtor global de alimentos e tem muito a oferecer para a China. A redução dos custos de importação chineses permitirá a redução dos custos de exportação brasileiros, principalmente no que diz respeito ao escoamento da produção do Brasil central e à construção de rotas bioceânicas.

O setor de infraestrutura é um dos mais promissores para atrair investimentos chineses. O ministro Filho destacou a importância da ampliação do modal ferroviário e da melhoria das unidades portuárias brasileiras para criar uma rede mais robusta. Além disso, ele detalhou projetos de ferrovias que ligarão várias regiões do país, possibilitando o escoamento da produção para os portos de forma mais eficiente.

Outros setores que têm potencial para receber investimentos chineses são o setor aeroportuário, com o objetivo de aumentar o número de passageiros voando no Brasil, e o setor de dragagem, para melhorar a capacidade das hidrovias brasileiras. O ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, ressaltou que algumas obras importantes, como o túnel submerso que liga Santos ao Guarujá, têm tecnologia e conhecimento apenas da China e de alguns países europeus.

A reunião da Cosban está prevista para o primeiro semestre de 2024, e será uma oportunidade para reforçar a parceria comercial entre Brasil e China. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, ressaltou a importância do país asiático como maior parceiro comercial do Brasil e destacou a assinatura de inúmeros protocolos e acordos durante a visita do ex-presidente Lula à China. A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura, destacou a importância do trabalho conjunto entre os ministérios brasileiros e seus respectivos parceiros chineses para impulsionar a agenda comum consolidada.

Com isso, o Brasil se prepara para aproveitar as oportunidades geradas pela mudança do perfil econômico da China, fortalecendo sua infraestrutura e abrindo caminho para atrair investimentos chineses nos setores de transporte, ferrovias, portos e aeroportos. Essa parceria comercial entre Brasil e China tem o potencial de impulsionar o crescimento econômico do país e fortalecer ainda mais as relações bilaterais entre as duas nações.

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