Os investigadores identificaram que as fraudes se originaram de 48 páginas diferentes, sendo que 34 delas utilizaram o nome oficial do programa, Desenrola Brasil, para criar 278 anúncios fraudulentos. Outras 15 páginas, por sua vez, usaram um nome fictício, Libera Brasil, para enganar os usuários com 264 anúncios. Um dos perfis ainda fez uma mistura dos dois nomes, ampliando ainda mais a complexidade do problema.
Lançado em 2023, o Desenrola Brasil visa facilitar a renegociação de dívidas dos consumidores. No entanto, logo após a sua introdução, uma série de anúncios falsos começaram a circular, levando o Ministério da Justiça a exigir a remoção imediata de conteúdo enganoso e resultando em uma multa significativa de R$ 9,3 milhões à Meta. Apesar desses esforços, os anúncios fraudulentos proliferaram, especialmente após o lançamento da segunda versão do programa, em maio.
Os dados coletados mostram que uma maior parte dos anúncios (72%) explorava indevidamente a identidade do governo e de diversas instituições, como bancos e veículos de imprensa. Além disso, 19,1% das publicações redirecionavam os usuários para canais que pareciam oficiais, enquanto 38,1% apresentavam conteúdo gerado por inteligência artificial.
Marie Santini, diretora do Netlab, enfatiza que a falta de fiscalização nos anúncios permite que tanto propostas legítimas como fraudulentas coabitem nas mesmas plataformas, tornando difícil para o usuário distinguir entre elas. Essa confusão aumenta a vulnerabilidade dos usuários, que podem acabar fornecendo informações pessoais em sites fraudulentos, frequentemente direcionados por meio de conversas no WhatsApp.
Os golpistas recorrem a táticas manipulativas comuns, fazendo promessas financeiras irreais e criando uma falsa urgência para gerar cliques. Frente a essa situação, Santini defende que as plataformas digitais devem adotar mecanismos de verificação de autenticidade para proteger os usuários.
A Meta, em resposta ao problema, afirma que o combate a fraudes online é uma de suas prioridades. A empresa anunciou o uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, para detectar e remover conteúdos fraudulentos, além de ter implementado políticas rigorosas de segurança. A companhia também informou que as denúncias de usuários sobre fraudes caíram significativamente.
Dadas as circunstâncias, a necessidade de ações efetivas por parte das plataformas e das autoridades se torna cada vez mais urgente, colocando em pauta não apenas a segurança digital, mas também a proteção do consumidor em uma era repleta de incertezas e enganos.





