Esse crescimento é elucidado por um estudo da Quod, uma empresa de tecnologia de dados voltada para o setor de crédito. A pesquisa revela que a ampliação do compartilhamento de dados entre instituições financeiras, facilitada pela Resolução 501 do Banco Central, tem desempenhado um papel crucial na detecção de fraudes. Implementada para intensificar a colaboração entre bancos e outras entidades, essa resolução permitiu que tentativas de fraudes, que anteriormente não eram registradas, agora façam parte de uma base unificada de inteligência.
O sistema de Registro Unificado de Fraudes (Rufra), criado pela Quod, se destaca como uma ferramenta essencial para reunir e analisar informações sobre fraudes. Ele permite identificar padrões dentro da atividade criminosa, acompanhando tanto o histórico de vítimas quanto dos fraudadores. Isso não apenas melhora a capacidade de detecção, mas também reforça as estratégias de prevenção adotadas pelas instituições financeiras.
Os números apresentados são expressivos: mais de 78% das fraudes ocorreram por meio de dispositivos móveis, com 94% dos casos envolvendo contas correntes e 85% utilizando o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix. A manipulação psicológica, conhecida como engenharia social, destaca-se como a principal tática utilizada pelos golpistas, representando 40% dos registros de fraude. Essa abordagem, que busca manipular as vítimas a fornecerem dados pessoais ou realizarem transferências indevidas, tem crescido em eficácia.
O perfil das vítimas também chama atenção. Jovens de 18 a 34 anos formam a maior parte das pessoas afetadas, representando quase metade do total. Além disso, mais de 799 mil indivíduos, ou cerca de um quarto das vítimas, sofreram golpes em mais de uma ocasião, revelando um preocupante ciclo de reincidência.
Os especialistas recomendam cuidados redobrados nas operações financeiras, principalmente pelo celular. Advertências incluem evitar decisões financeiras apressadas durante o trabalho e não clicar em links suspeitos. Proteger informações bancárias é fundamental para não se tornar cúmplice involuntário de esquemas fraudulentos.
Em um panorama onde a atuação de criminosos se torna cada vez mais intensa e sofisticada, a necessidade de maior vigilância e educação financeira torna-se um imperativo para todos os cidadãos. As instituições, por sua vez, devem continuar investindo em tecnologias que aprimorem a segurança e a transparência no sistema financeiro.
