Os números revelam a severidade da situação: a provisão para perdas teve um crescimento alarmante de 46%, atingindo R$ 16,8 bilhões, refletindo o aumento da inadimplência nos empréstimos a produtores rurais, que agora atinge 6,22% da carteira do agro, um aumento de 3,5 pontos percentuais em um ano. O índice de inadimplência geral do banco ficou em 5,05%. Essas dificuldades surgem em um contexto onde o setor agropecuário tem enfrentado problemas sérios desde a quebra da safra de soja em 2024, que se seguiu a um ano de recorde em 2023, provocando uma onda de recuperações judiciais entre os agricultores.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da instituição também apresentou uma deterioração, caindo de 16,7% para 7,3%. Esse declínio não apenas indica uma rentabilidade em queda, mas também sugere dificuldades em adaptar-se a um ambiente econômico volátil e incerto, com riscos comumente associados ao agronegócio e às incertezas geopolíticas.
Em um esforço para mitigar os impactos da crise, o Banco do Brasil implementou uma série de medidas, como o programa “BB Regulariza Dívidas Agro”, que já resultou em renegociações de R$ 37,9 bilhões e a repactuação de mais de 73 mil operações, atendendo cerca de 25,5 mil produtores. Adicionalmente, a instituição tem aumentado o uso de garantias e intensificado ações judiciais para recuperação de crédito.
Apesar deste cenário adverso, há um brilho no horizonte: a carteira total de crédito do Banco do Brasil cresceu 2,2%, alcançando R$ 1,3 trilhão, impulsionada, em parte, pelo setor de crédito pessoal. O total de ativos do banco é agora de R$ 2,6 trilhões, enquanto seu patrimônio líquido é de R$ 194,9 bilhões, refletindo um crescimento mesmo em tempos difíceis. Assim, o Banco do Brasil tenta equilibrar suas operações enquanto enfrenta um contexto desafiador no agronegócio e na economia como um todo.
