DIREITOS HUMANOS – UFRJ Concede Diploma Póstumo a Stuart Angel, Estudante e Resistência Contra a Ditadura, 55 Anos Após Seu Sequestro e Assassinato

Na última terça-feira, dia 7 de novembro de 2023, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou uma cerimônia comovente para conceder póstumamente o diploma de bacharel em ciências econômicas a Stuart Edgard Angel Jones. O estudante, que foi membro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), é uma das muitas vítimas da brutal repressão durante a ditadura militar brasileira. Stuart, sequestrado, torturado e assassinado aos 25 anos, teve sua trajetória interrompida em 1971, mas, com a conclusão do seu curso pela universidade, sua memória e legado foram resgatados.

O evento, realizado no Salão Dourado da UFRJ, foi um marco significativo tanto para a família de Stuart quanto para a história do país. A mobilização para a concessão do diploma começou com uma homenagem em maio de 2022, quando sua irmã Hildegard Angel e amigos se reuniram no Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA) para celebrar o 54º aniversário de sua morte. Essa iniciativa se transformou em uma promessa de que a diplomação seria finalmente alcançada, não apenas para Stuart, mas também para outros companheiros que sofreram na mesma época.

Lucas Duda, um economista recém-formado e ex-diretor do CASA, expressou sentimentos de dever e responsabilidade ao garantir que a história de Stuart e outros combatentes pela liberdade não ficasse esquecida. Ele enfatizou a importância de honrar aqueles que, como Stuart e sua esposa Sônia Moraes, lutaram por um Brasil mais justo durante os anos sombrios da repressão.

Durante a cerimônia, Hildegard Angel compartilhou seu profundo sentimento de vitória com a diplomação, que, segundo ela, é um reconhecimento da luta incessante de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que dedicou sua vida à busca por justiça e pela memória de seu filho. Zuzu, que foi assassinada após denunciar o desaparecimento de Stuart, representa a coragem de inúmeras famílias que perderam entes queridos para a violência de estado.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a significância deste ato, não apenas como uma forma de reparação histórica, mas também como uma reflexão sobre o pesado legado da ditadura militar. Ele lembrou que a responsabilidade pela memória deste período sombrio cai sobre a nova geração, que deve ser vigilantemente antidemocrática.

Além de Stuart, a UFRJ planeja homenagear outros 25 alunos que também foram vítimas do regime militar em uma cerimônia futura. A inclusão de seus nomes na história acadêmica é uma forma de afirmar que a luta pela memória e justiça é um compromisso contínuo do Brasil, necessária para garantir que os horrores do passado nunca se repitam. Este ato de reconhecimento póstumo não é apenas um tributo, mas uma reafirmação da necessidade de um futuro onde a liberdade de expressão e a dignidade humana sejam inegociáveis.

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