No comunicado à imprensa, o Instituto destacou que a decisão de não prosseguir com a Marcha reflete as mudanças no cenário dos direitos da população trans ao longo da última década. As demandas e aspirações dessa comunidade, assim como aquelas do próprio Instituto, sofreram evolução ao longo dos anos, levando a essa importante e reflexiva decisão. O evento, que costumava coexistir com a Parada do Orgulho LGBT+, agendada para o próximo domingo (7), também se tornava cada vez mais relevante em um cenário de diversidade e inclusão.
O Instituto SSEX BBOX também informou que abrirá inscrições para que outros grupos interessados possam assumir a organização da Marcha no futuro. Essa mudança sinaliza uma nova fase na luta pelos direitos trans, onde outros eventos e iniciativas liderados por pessoas trans também ressoam, mostrando a riqueza e a heterogeneidade da comunidade.
Um dos fatores que contribuíram para essa decisão foram as dificuldades financeiras enfrentadas pelo SSEX BBOX, que, segundo seu fundador Lyon Adryan Ror, refletiram a diminuição de patrocínios e incentivos às iniciativas LGBTQIA+. A queda nos investimentos começou a ser notada especialmente após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, afetando profundamente muitas organizações do setor.
Esse cenário financeiro complicado não atinge apenas a Marcha do Orgulho Trans, mas também a Parada do Orgulho LGBT+, que enfrentou uma redução de 60% na receita com patrocínios neste ano, segundo afirmações feitas pelo presidente da APOLGBT-SP, Nelson Matias Pereira. A diminuição de apoio financeiro impacta não só a realização do evento, mas também as ações sociais e culturais promovidas pela associação.
Os organizadores da Parada deste ano, que traz como tema “30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma”, esperam que a presença de artistas como Gloria Groove e Pepita ajude a renove o fomento à luta pela inclusão e respeito à diversidade. Em meio a dificuldades, a manifestação se propõe como um espaço democrático de cidadania, refletindo sobre a importância da mobilização popular e da participação política, ressaltando a necessidade da contínua ocupação das ruas por todos os segmentos da sociedade.





