O estudo que revela essas estatísticas foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e classifica o trânsito como uma das principais formas de violência letal no país. Embora tenha sido observada uma redução de 20% no número total de falecimentos em uma década, o crescimento das mortes de motociclistas é alarmante, com um aumento de 38% apenas entre 2019 e 2024. Esse cenário é particularmente grave nas regiões Norte e Nordeste, onde a expansão da economia dos aplicativos contribuiu para que as motocicletas se tornassem não apenas veículos de transporte, mas ferramentas essenciais para a sobrevivência econômica de muitos trabalhadores.
Em 2024, a taxa de mortalidade no trânsito situou-se em 17,5 óbitos por 100 mil habitantes, um valor inferior ao de 2014 (21,9 por 100 mil), porém os especialistas expressam preocupação com a crescente tendência de aumento. A pressão por produtividade, somada à ausência de proteção social e jornadas de trabalho intensas, transforma os motociclistas de aplicativos em um dos grupos mais vulneráveis às fatalidades diárias.
Estatísticas de estados como o Piauí, onde as motocicletas foram responsáveis por 72,7% das mortes no trânsito, realçam a gravidade da situação. Para mitigar os números alarmantes, especialistas pautam a urgência de implementar medidas que envolvam a educação para o trânsito, a redução de velocidade e melhorias na infraestrutura viária.
No campo da segurança pública, o panorama das armas de fogo também apresenta dados relevantes. Em 2024, o Brasil contabilizou 29.870 homicídios cometidos com armas de fogo, uma queda de 8,8% em relação ao ano anterior e 31,2% em comparação a 2014. Apesar da redução, a alarmante taxa de 14,1 homicídios por 100 mil habitantes revela que a violência letal continua a ser uma questão premente. A análise indica um padrão de fragmentação nas dinâmicas de violência, destacando as diferenças regionais e as necessidades específicas de cada área para lidar com essa crescente crise de segurança.





