O estudo da antropóloga Adriana Dias, falecida recentemente, é citado como uma referência importante no levantamento destes dados. Segundo sua pesquisa, no início de 2022, o Brasil já contava com mais de 530 núcleos extremistas, cujos participantes expressam ódio contra diversas minorias, como feministas, judeus, negros e a comunidade LGBTQIAP+.
Outro levantamento mencionado no relatório é o da agência Fiquem Sabendo, que revelou uma preocupante quantidade de inquéritos abertos pela Polícia Federal entre janeiro de 2019 e novembro de 2020 por apologia ao nazismo. O número de processos abertos em um curto período de tempo superou as investigações realizadas ao longo de 15 anos, evidenciando a urgência em lidar com esse fenômeno crescente.
Além disso, foram processadas mais de 14 mil denúncias anônimas por crimes cibernéticos relacionados a discursos de ódio. O relatório destaca ainda casos concretos em que artefatos nazistas foram apreendidos, assim como a preocupante presença de simbologia neonazista em ataques em escolas, como o ocorrido recentemente em Aracruz, no Espírito Santo.
O CNDH, órgão criado para promover e proteger os direitos humanos no Brasil, pretende contribuir para as discussões na 55ª Reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, apresentando seu relatório e buscando medidas de prevenção e reparação. Uma comitiva irá visitar Santa Catarina para avançar nas investigações sobre o crescimento do neonazismo, destacando a importância de uma atuação conjunta entre governo, sociedade civil e especialistas no combate a este tipo de ideologia perigosa.
A situação alarmante no Brasil em relação aos grupos neonazistas tem chamado a atenção internacional, e a necessidade de ações eficazes para combater essa ameaça à democracia e aos direitos humanos é urgente. O relatório do CNDH traz à luz essas preocupações e destaca a importância de medidas para frear o avanço deste tipo de ideologia no país.





