“Fomos surpreendidos positivamente com esses decretos, que representam um feito histórico para nós. Há muito tempo esperávamos por isso”, afirmou a líder quilombola, ressaltando a urgência da titulação para garantir a segurança territorial diante das ameaças que as comunidades enfrentam, especialmente no Marajó, onde são alvo de arrozeiros, fazendeiros e mineradoras.
A titulação é vista como um sopro de esperança, permitindo um maior acesso a políticas públicas e oferecendo segurança às famílias quilombolas. O representante da comunidade de Santa Luzia, Hilário Moraes, expressou sua alegria e esperança ao receber a titulação, que ele considera um ato de reparação. “Estamos passando por ameaças constantes, e agora, com este decreto, sentimos que finalmente somos reconhecidos”, desabafou.
As comunidades quilombolas, que representam descendentes de pessoas escravizadas durante a colonização do Brasil, também vivem da agricultura familiar e são essenciais para a proteção do bioma amazônico. No evento, Carlene destacou que mesmo o reconhecimento sem a demarcação de terras não garantia efetivamente as políticas públicas necessárias para a sobrevivência e desenvolvimento das comunidades.
Em outra parte do país, a liderança Adriana Ferreira da Silva, da comunidade Invernada dos Negros em Santa Catarina, também recebeu um título de terra e homenageou mulheres que sofreram com a injustiça social, destacando o papel das mulheres na construção de um futuro melhor. “Não somos apenas para estar dentro de casa, o mundo é nosso”, celebrou.
Os territórios quilombolas são espaços cruciais para a preservação cultural e social, e a recente entrega de títulos finaliza um longo processo de regularização, abrangendo 11,6 mil hectares e beneficiando 1.780 famílias em todo o Brasil. Durante o evento, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou também o reconhecimento de outros territórios, incluindo o Porto Leocádio, em Goiás, que beneficiará 20 famílias.
Essa iniciativa reflete um esforço mais amplo de reconhecimento das comunidades quilombolas, que frequentemente lutam contra a despossessão e pela preservação de seus modos de vida e identidade cultural. A titulação de territórios é um passo crucial para garantir que esses povos possam viver em segurança e dignidade, continuando a defender suas terras e culturas.





