A Jornada de Carlos Hogendorp: Um Canto de Esperança e Raízes
A história de Carlos Hogendorp, mais conhecido como Osmin Carlson, é um relato envolvente de autodescoberta e resiliência. Nascido no Brasil e adotado por uma família holandesa aos quatro anos de idade, Carlos guarda memórias marcadas pela neve e um frio intenso ao chegar em Leeuwarden, na Holanda. Atualmente, com 31 anos, ele está em uma missão: conectar-se com suas raízes brasileiras e promover a conscientização sobre a importância do cuidado na infância.
Carlos foi um dos muitos filhos que enfrentaram a dura realidade de instituições de acolhimento. Em sua infância, ele viveu em um abrigo que enfrentava problemas significativos. “Não foi fácil; eu lembro de momentos difíceis”, compartilha, ao relembrar sua experiência. Com o passar dos anos, o desejo de compreender suas origens o levou a aprender português e a explorar a história da sua família. Durante sua visita ao Brasil, ele se dedicou a palestras e rodas de conversa, onde compartilhou sua trajetória e vivências.
Sua busca levou à descoberta de sua mãe biológica, Maria de Fátima, que enfrenta sua própria batalha legal. Carlos relata que o reencontro lhe trouxe um choque de realidade ao se deparar com as circunstâncias que outros em sua situação ainda enfrentam no Brasil. “Vi crianças em orfanatos e nas ruas, e reconheci minha história nos olhos delas”, afirma. Essa conexão profunda o impulsionou a ser uma voz em prol de quem precisa de apoio, defendendo a importância do apadrinhamento afetivo, uma iniciativa que permite a crianças em instituições de acolhimento receberem o suporte de pessoas da sociedade civil.
Carlos compara sua jornada de vida à luta de outros brasileiros adotados. Ele afirma que muitos sentem falta do país natal, mas não se sentem à vontade para discutir isso com suas famílias adotivas. “Há um luto silencioso, um anseio por entender as próprias raízes”, explica. Ele é um defensor da adoção de crianças brasileiras por famílias no Brasil, acreditando que isso poderia oferecer a elas oportunidades de crescimento dentro do seu próprio país.
Carlos sonha em retornar ao Brasil, não apenas para reviver suas memórias, mas também para apresentar sua herança à filha, Viena, que carrega em si um legado profundamente enraizado em sua identidade. “O ‘brasileiro’ nunca vai embora de você”, diz ele, refletindo sobre a mistura de experiências que moldaram sua vida e a importância do amor e do cuidado na infância.
Com seu testemunho, Carlos espera abrir diálogos sobre adoção e sobre os direitos das crianças. Ele acredita fervorosamente que um lar amoroso e um ambiente saudável são fundamentais para o desenvolvimento sustentável das crianças e adolescentes, tanto no Brasil quanto no mundo. E assim, a história de Carlos Hogendorp se torna um farol para muitos que estão em busca de suas próprias histórias.
