Os dados, que foram apresentados recentemente em uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com outras entidades, destacam que, mesmo com a crescente presença de mulheres — que já representam quase 40% das posições de liderança —, a diversidade ainda é restrita, não refletindo a pluralidade da sociedade brasileira. As notáveis conquistas das mulheres se intensificaram a partir de 2022, mas o quadro geral revela a necessidade de maior inclusão.
Curiosamente, a maior diversidade foi observada em ministérios como os da Igualdade Racial e das Mulheres. A pesquisa sugere que as contratações externas, que incluem uma proporção maior de mulheres e pessoas negras, são um caminho eficaz para promover a diversidade. Até 2004, esse tipo de recrutamento era a norma, mas posteriormente, mudanças nas leis começaram a exigir percentuais mínimos de servidores de carreira nas chefias.
A análise também brandi um mito popular que sugere que a ascensão a cargos de liderança depende apenas de indicações políticas. O estudo revelou que, de 1999 a 2025, a maioria dos diretores no setor público federal era composta por servidores concursados. A permanência nos cargos é, muitas vezes, temporária, com 57% dos dirigentes ocupando posições por menos de dois anos. Entretanto, uma parcela significativa dos que falham em sua função inicial conseguem transitar para outros órgãos, indicando um processo de “circulação” que contribui para a acumulação de experiência.
Ademais, a pesquisa revelou um fenômeno conhecido como “efeito bumerangue”, onde 44% dos dirigentes que deixam um órgão retornam posteriormente, sugerindo uma circulação de líderes que fortalece a memória institucional e a eficácia administrativa. A análise da mobilidade vertical dentro da burocracia federal mostra que, na maioria das vezes, a ascensão a altos cargos é gradual e bem estruturada.
Os especialistas envolvidos na pesquisa ressaltam que compreender quem ocupa posições de liderança e quais são os métodos de seleção é fundamental para discutir a capacidade do Estado. Os resultados sublinham uma realidade complexa sobre a estrutura burocrática, que desafia tanto a visão de uma administração puramente política quanto a de um serviço público rigidamente técnico. E assim, a importância de lideranças competentes para transformar o setor público é mais essencial do que nunca em um país em busca de maior inclusão e representatividade.





