Deputados Federais Buscam Diálogo com EUA para Divergir de Classificação de Narcoterrorismo e Propor Parcerias Contra Tráfico de Drogas e Armas.

Um grupo de quatro deputados federais da base governista do presidente Lula embarcou esta semana para os Estados Unidos em uma missão para apresentar uma perspectiva alternativa à imagem da direita brasileira. Essa iniciativa ocorre em um momento delicado, após o governo dos EUA classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas, além de sinalizar a possibilidade de novas taxações sobre produtos brasileiros.

Os parlamentares que participaram da visita incluem André Janones (Rede-MG), Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e Pedro Uczai (PT-SC). Juntos, eles representaram uma coalizão de 114 deputados que compõem a bancada governista. Durante a viagem, o grupo teve a oportunidade de se reunir com autoridades norte-americanas e discutir vários temas cruciais para as relações bilaterais.

Jandira Feghalli destacou que a equipe se concentrou em três questões principais, sendo uma delas a importância do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como PIX. Ela ressaltou que não aceitarão nenhuma intervenção que limite ou dificulte o uso dessa ferramenta, a qual consideram uma manifestação de soberania financeira do Brasil e uma moderna solução para transações financeiras.

Além das discussões sobre o PIX, o grupo apresentou uma proposta de cooperação na luta contra o tráfico de drogas, enfatizando a necessidade de parcerias que não incluam intervenções militares ou ações policiais diretas dos Estados Unidos em solo brasileiro. O foco é estabelecer um trabalho conjunto no combate ao tráfico de armas e drogas e no monitoramento de operações financeiras para prevenir crimes relacionados à lavagem de dinheiro.

Em seu discurso, Feghalli também mencionou que a delegação se dirigiu à Organização dos Estados Americanos (OEA) com o objetivo de alertar sobre possíveis interferências externas durante um ano eleitoral sensível. Foi pedida a observação da OEA, não apenas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas também da Secretaria de Fortalecimento da Democracia, que já foi acionada para monitorar as eleições brasileiras.

As tensões aumentaram desde que os EUA classificaram o CV e o PCC como narcoterroristas, um passo que permite ações severas contra indivíduos e entidades que apoiam essas organizações. Além disso, o Escritório do Representante Comercial dos EUA recentemente concluiu que várias políticas comerciais brasileiras têm restringido ou onerado o comércio bilateral e sugeriu a imposição de tarifas de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil.

Em meio a esse cenário conturbado, os deputados buscam reverter a narrativa negativa e fortalecer as relações entre Brasil e Estados Unidos, com um foco em cooperação e respeito à soberania nacional.

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