CAMARA DOS DEPUTADOS – Projeto reconhece violência linguística e audismo contra surdos, garantindo melhor acessibilidade e proteção a direitos fundamentais de comunicação

O Projeto de Lei 1037/26 emerge como um marco na luta contra a discriminação enfrentada por pessoas surdas, surdocegas ou com deficiência auditiva que utilizam línguas de sinais para se comunicar. A proposta tem como objetivo reconhecer oficialmente o conceito de “audismo”, que se refere a qualquer forma de discriminação e desvalorização dessas pessoas devido às suas formas de comunicação. O autor do projeto, deputado Zé Trovão, do PL de Santa Catarina, enfatiza que este reconhecimento legal é essencial para trazer à tona as injustiças que esse grupo enfrenta diariamente, permitindo que se adotem medidas mais efetivas para combatê-las.

O projeto identifica diversas situações que são caracterizadas como audismo. Entre elas está a escassez de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e de recursos de acessibilidade em locais como escolas, universidades, saúde e outros serviços públicos e privados. Além disso, a substituição de intérpretes humanos por tecnologias como avatares ou inteligência artificial é considerada problemática, especialmente quando a comunicação em tempo real é exigida. O projeto também aborda a negação da legitimidade das línguas de sinais como parte do patrimônio cultural brasileiro, além de criticar a atuação de intérpretes desqualificados.

Outro ponto significativo da proposta é a garantia de que indivíduos surdos e surdocegos possam avaliar a qualidade do trabalho realizado por intérpretes sem que isso seja considerado uma ofensa. Adicionalmente, o projeto estipula que, antes da assinatura de qualquer documento, a presença de um intérprete de Libras será obrigatória para assegurar a compreensão plena das informações, com gravações em vídeo que comprovem essa compreensão.

Atualmente, a proposta deverá passar por uma análise em caráter conclusivo pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, de Finanças e Tributação, e de Constituição, Justiça e Cidadania. Para que se torne lei, é indispensável que o texto seja aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado. O avanço desta proposta não apenas representa uma conquista significativa para a comunidade surda, mas também reforça a necessidade de um compromisso mais profundo com a inclusão e respeito à diversidade linguística e cultural no Brasil.

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