CAMARA DOS DEPUTADOS – “Projeto de Lei Institui Regras para Assistência Domiciliar e Valoriza Profissionais de Enfermagem no Brasil”

O Projeto de Lei 194/26, atualmente em discussão no Congresso, visa estabelecer diretrizes para a atuação de enfermeiros, técnicos e auxiliares em serviços de assistência domiciliar, popularmente conhecido como “home care”. Uma das principais inovações apresentadas pela proposta é a definição de uma jornada de trabalho de 30 horas semanais para esses profissionais, além de impor que as empresas contratantes forneçam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e todos os insumos necessários para o adequado desempenho das atividades.

O projeto também introduz um adicional de 20% para os trabalhadores que atuam em turnos que vão das 22h às 5h. Além disso, boa parte do foco da proposta está na proteção do trabalhador: se um profissional não receber a devida substituição após o término do seu horário contratado, ele terá direito a uma multa de 20% sobre o valor da hora extra realizada.

Outro ponto relevante na proposta é que os técnicos e auxiliares de enfermagem só poderão atuar sob a supervisão de um enfermeiro, garantindo uma assistência mais qualificada e segura para os pacientes. Autor do projeto, a deputada Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) destaca a importância dessa regulamentação, especialmente em um cenário onde a demanda por cuidados domiciliares tem crescido consideravelmente, impulsionada pelo envelhecimento da população e pelo aumento de doenças crônicas. Para a deputada, valorizar os profissionais da enfermagem é uma forma de assegurar uma melhor qualidade no atendimento, beneficiando não apenas os pacientes e suas famílias, mas também o sistema de saúde como um todo.

A fiscalização das novas regras ficará a cargo dos conselhos de enfermagem e de órgãos de saúde, que deverão comunicar visitas de inspeção às residências dos pacientes com pelo menos 24 horas de antecedência. Em contrapartida, as empresas contratantes poderão ser auditadas a qualquer momento, sem aviso prévio.

Outra exigência importante do projeto é que as empresas do setor mantenham prontuários detalhados sobre o plano de cuidado e a evolução dos pacientes, tanto em suas instalações quanto nas residências. Isso deve incluir protocolos relacionados à segurança do paciente, prevenção de infecções e gerenciamento adequado de resíduos.

Para avançar, a proposta passará por um rito de análise nas comissões de Saúde e de Constituição e Justiça e de Cidadania, conhecidas como CCJ, com a necessidade de aprovação tanto na Câmara quanto no Senado para se tornar uma lei efetiva.

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