O novo texto legislativo traz importantes mudanças em relação à proposta inicial do deputado Amom Mandel, adaptada pela relatora, deputada Socorro Neri. Ao contrário do que previa o projeto original, que se restringia a beneficiar empresas públicas e privadas, a versão aprovada busca englobar cooperativas e pequenos negócios de indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Essa inclusão é fundamental para garantir que os benefícios cheguem às comunidades que realmente conhecem e preservam a rica biodiversidade da região.
Conforme explica a deputada Socorro Neri, o potencial produtivo dos povos amazônicos tem sido historicamente subutilizado, não por falta de capacidade, mas pela ausência de políticas públicas adequadas que promovam inclusão produtiva e acesso a mercados. Um dos principais objetivos do novo programa é promover um comércio mais justo, assegurando que os produtores recebam uma remuneração digna e que os lucros sejam compartilhados de maneira equitativa.
Para participar do programa, as empresas devem cumprir algumas obrigações essenciais, como garantir a rastreabilidade dos produtos, remunerar adequadamente os produtores e respeitar a cultura local. Além disso, está proibido o uso dos saberes e grafismos tradicionais para fins comerciais sem consentimento explícito das comunidades.
A proposta ainda prevê a criação de mecanismos simplificados que facilitem a certificação da origem dos produtos, permitindo que as comunidades possam comprovar a proveniência amazônica de suas mercadorias através de declarações simples.
Agora, o projeto seguirá para análise das comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado nesses trâmites, o texto seguirá para votação na Câmara e, posteriormente, no Senado, com a expectativa de transformar a dinâmica econômica da Amazônia e valorizar os saberes ancestrais que habitam a região.
