Durante a audiência, a professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Pâmella Passos, apresentou os resultados de uma pesquisa realizada pela instituição, que revelou que 91% dos professores entrevistados gostariam de receber apoio psicológico e 90,4% demandam apoio jurídico para lidar com situações de perseguição ideológica. A professora Juliana Andozio, da rede estadual de Santa Catarina, compartilhou sua própria experiência de cerco e retaliação após ser acusada de fazer doutrinação política na escola. Apesar de ter sido inocentada no processo administrativo, ela foi punida com 15 dias sem salário, mas posteriormente teve seu salário devolvido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Diante dessas situações, o professor Salomão Barros Ximenes, da Universidade Federal do ABC, destacou a importância de criar redes de proteção para garantir a liberdade de ensinar dos professores. Ele ressaltou a necessidade de políticas públicas que ofereçam suporte jurídico e psicológico, em parceria com as universidades e sindicatos. Segundo Ximenes, os educadores estão sendo perseguidos e atacados no exercício de suas funções.
A deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) elogiou a proposta de criação de um observatório para monitorar a perseguição aos professores e embasar propostas para enfrentar esse problema. Segundo ela, é fundamental ter dados e informações atualizadas para desenvolver políticas públicas efetivas. Os debatedores também denunciaram que, muitas vezes, as perseguições são promovidas por parlamentares federais, estaduais e municipais. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) defendeu a necessidade de estabelecer protocolos para garantir que o papel fiscalizador dos legisladores esteja em conformidade com a lei.
A audiência ressaltou a importância de proteger e valorizar os professores, garantindo-lhes o direito de exercer suas funções sem medo de retaliações. Os especialistas apontaram a necessidade de criar um ambiente saudável e respeitoso nas escolas, onde a diversidade de opiniões seja valorizada e os educadores sejam reconhecidos como agentes fundamentais na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A partir dos relatos e discussões na audiência, espera-se que sejam desenvolvidas propostas e ações concretas para enfrentar a perseguição política e garantir a liberdade de ensinar dos professores em todo o país.






