O Lenacapavir se destaca por sua capacidade de prevenir a infecção por HIV com apenas duas injeções anuais, configurando-se como uma alternativa promissora às terapias diárias em comprimidos. Apesar de já ter recebido registro da Anvisa, o medicamento ainda não está disponível ao público via SUS, aguardando a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Somente após essa avaliação, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) poderá analisar a viabilidade de sua inclusão na rede pública.
O diretor do Departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde, Dráurio Barreira, expressou sua preocupação quanto à exclusão do Brasil de acordos internacionais que possibilitariam a compra do Lenacapavir por um preço mais acessível, estimado em cerca de 40 dólares anuais. Barreira ressaltou que o acesso à tecnologia é crucial, afirmando que a introdução de um novo medicamento não será eficaz sem que se enfrentem as desigualdades sociais e a iniquidade.
A deputada Duda Salabert, coordenadora do debate e autora de um projeto de lei que classifica o Lenacapavir como de interesse público, também enfatizou a importância de atualizar as tecnologias de prevenção para atender dignamente às populações vulneráveis. Ela defendeu que o SUS não deve ser refém do mercado e que a saúde das pessoas deve ter prioridade sobre questões de patente.
O debate ainda abordou o uso de medidas como a licença compulsória para garantir a redução dos preços e a produção nacional do medicamento. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já manifestou interesse em viabilizar a fabricação do Lenacapavir no Brasil, através de um memorando de entendimento com o laboratório Farmanguinhos. A farmacêutica Gilead Sciences, responsável pelo medicamento, declarou estar aberta a negociações para a produção local.
Ao concluir, os debatedores convocaram o governo federal a desenvolver uma estratégia clara para assegurar que o Lenacapavir seja acessível à população antes da Conferência Internacional de Aids, marcada para julho de 2026 no Brasil. A expectativa é que soluções emergentes possam permitir um avanço significativo na prevenção do HIV, destacando a urgência de ações concretas para garantir o acesso a tratamentos eficazes.







