Audiência da Câmara dos Deputados: Metroviários Denunciam Crise e Privatização dos Transportes
Em uma audiência recente da Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, metroviários de diversas regiões do Brasil expressaram preocupações sobre um cenário alarmante: demissões em massa, precarização das condições de trabalho e o evidente sucateamento dos serviços metroviários. As críticas se direcionaram também ao governo federal, que, segundo os representantes dos trabalhadores, não cumpriu a promessa de retirar a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb) do Programa Nacional de Desestatização (PND).
Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Metroviárias de Pernambuco, trouxe à tona os desastres ocorridos no Metrô do Recife, que está em processo de privatização. Ele denunciou a ocorrência de descarrilamentos, falhas na infraestrutura, e até mortes ligadas ao abandono e sucateamento do sistema. “Tivemos dois descarrilamentos em menos de uma semana e um colega nosso faleceu electrocutado. Isso demonstra a falta de compromisso com a segurança e a manutenção do Metrô”, afirmou Soares.
O relato de Minas Gerais também esteve presente na discussão. Alda dos Santos, presidente do Sindicato dos Metroviários de Belo Horizonte, destacou as mais de mil demissões desde que o Metrô local foi transferido para a iniciativa privada, resultando em muitos ex-funcionários lutando para se recolocar no mercado de trabalho.
A audiência teve a participação do diretor do Sindmetrô do Rio Grande do Sul, Ronas Filho, que criticou o uso de recursos públicos para apoiar a privatização dos serviços. Ele reivindicou investimentos maciços em infraestrutura e a necessidade de novos concursos públicos para melhorar o sistema. “A única política visível do governo é a concessão e a transferência de bilhões ao setor privado. Precisamos de comprometimento com o transporte público”, declarou.
Fernanda Barbosa, do Ministério das Cidades, mencionou as limitações constitucionais que dificultam a intervenção do governo federal na gestão do transporte metropolitano, tendo em vista que essa responsabilidade recai sobre os estados, de acordo com a Constituição.
A organizadora da audiência, deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), enfatizou a necessidade de um movimento nacional em defesa de um metrô público com tarifa zero. Ela lembrou que uma das conquistas das mobilizações de 2013 foi a inclusão do transporte como um direito social na Constituição. Melchionna ainda criticou a admiração com sistemas de metrô públicos de outras cidades do mundo, argumentando que o acesso ao transporte deve ser visto como um direito do povo e uma solução para reduzir congestionamentos e poluição.
A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) também se manifestou a favor da proposta que busca tornar o transporte público um sistema universal e gratuito, embora essa iniciativa enfrente resistências no Congresso. Os deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Pompeo de Mattos (PDT-RS) se uniram aos críticos da privatização, destacando os impactos negativos que essa política pode trazer para a população.
A audiência deixou claro que o futuro do transporte público no Brasil depende de decisões políticas voltadas para a preservação do serviço público e o bem-estar da população.
