Guilherme Camponêz, coordenador da MAB, destacou que o direito ao auxílio emergencial já foi reconhecido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, porém a Vale recorreu da decisão, dificultando o acesso a direitos que já deveriam ser garantidos. Ele criticou a estratégia da mineradora, que, segundo ele, apresentou mais de oito tipos de recursos legais, um comportamento que pode atrasar injustamente o reconhecimento de direitos básicos das vítimas. “Se o Estado não intervir contra essas manobras, estará favorecendo aqueles que têm mais condições financeiras de apelar judicialmente”, alertou Camponêz.
Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mencionada durante a audiência, revelou que mais da metade dos atingidos viu sua renda diminuir após o acidente, e cerca de 20% das famílias se endividaram devido à crise provocada pela tragédia. A lei aprovada em 2023, que estabelece as obrigações da Vale em termos de reparação, reconhece o direito ao auxílio emergencial. Entre os deveres da mineradora estão a recuperação de danos ambientais e o pagamento de indenizações às pessoas afetadas.
O deputado Rogério Correia (PT-MG), presidente da comissão externa que acompanha o caso, criticou a postura da Vale, destacando que a empresa registrou um faturamento líquido superior a R$ 300 bilhões desde 2020, enquanto o custo do auxílio emergencial não chega a R$ 1,5 bilhão por ano. “É complicado compreender como, após um desastre tão devastador, a empresa ainda tenta barrar a ajuda financeira que muitas famílias precisam para sobreviver”, ressaltou.
Ainda de acordo com Camponêz, cerca de 17 mil vítimas foram efetivamente indenizadas, o que representa apenas 10% das pessoas afetadas. Além disso, ele apontou que 80% dos projetos de serviços públicos necessários para a recuperação ainda estão atrasados. O deputado Pedro Aihara (PP-MG) também informou que o rio Paraopeba, severamente impactado pelo rompimento da barragem, deveria ter 54 quilômetros recuperados, mas até o momento apenas 3 quilômetros foram parcialmente dragados, evidenciando a lentidão do processo de reestruturação e reparação ambiental.






