CAMARA DOS DEPUTADOS – Governo discute nova tarifa na OMC e alerta sobre implicações da classificação de organizações criminosas como terroristas em audiência com Celso Amorim.

Em uma audiência pública realizada na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, abordou temas que refletem tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, destacando a doutrina de segurança nacional dos norte-americanos. Durante a sessão, o assessor analisou um vídeo divulgado pelos EUA que sugere um reforço na Doutrina Monroe, a qual orientou as políticas americanas desde o século XIX, especialmente no que diz respeito à presença militar em países da América Latina.

Amorim enfatizou que essa doutrina modernizada implica em ações militares em nações da região, trazendo à tona a recente captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusado de narcoterrorismo. Ele alertou que tal postura poderia infringir a soberania nacional do Brasil, especialmente por conta da classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, uma designação que proporciona aos EUA justificativas para intervenções militares.

O assessor ressaltou que as ações americanas, incluindo sanções e operações contra indivíduos supostamente envolvidos no crime organizado no Brasil, não levam em consideração a colaboração entre as forças de segurança dos dois países. Um exemplo da fragilidade dessa cooperação foi destacado, quando operações da Polícia Federal foram prejudicadas devido à falta de comunicação com os EUA.

Os deputados presentes expressaram preocupações quanto ao impacto das atuações americanas, com Luiz Lima, do Novo-RJ, ressaltando a interferência do crime organizado nas eleições do Rio de Janeiro. A pauta de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros também foi debatida, sendo crítica a falta de participação do Brasil nas audiências que discutiram estas imposições.

Celso Amorim defendeu que o governo brasileiro tem se posicionado contra as novas tarifas, que são discutidas atualmente na Organização Mundial do Comércio. E quanto à recente decisão do governo dos EUA de revogar o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, Amorim indicou que tal ato foi uma retaliação à lentidão do Brasil em aceitar a nomeação do novo embaixador americano. Ele condenou as ações que desrespeitam práticas diplomáticas e afirmou que o Brasil não acatará imposições externas até após as eleições. Assim, a audiência não apenas evidenciou a complexidade das relações Brasil-EUA, mas também trouxe à tona questões de soberania e segurança na política internacional contemporânea.

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