CAMARA DOS DEPUTADOS – Falta de Medicamentos para Epilepsia Gera Críticas em Audiência da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados

No dia 22 de junho de 2026, uma audiência pública na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados trouxe à tona as dificuldades enfrentadas por pacientes com epilepsia em relação ao acesso a medicamentos e tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e no mercado privado. Convocada pela deputada Juliana Cardoso (PT-SP), a audiência teve como objetivo destacar as lacunas existentes e promover a recém-criada Frente Parlamentar Mista em Defesa da Pessoa com Epilepsia.

Durante a sessão, Andréia Bessa, diretora da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras, enfatizou que a escassez de medicamentos pode resultar em consequências graves para os pacientes, incluindo a perda de controle da enfermidade e até mesmo internações hospitalares. Ela destacou que os desafios enfrentados são diversos, desde licitações que não atraem fornecedores até a descontinuidade da fabricação de produtos essenciais, passando por preços incompatíveis com a capacidade de compra do SUS.

Paula Nobrega, conselheira da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde, ressaltou que aproximadamente 30% dos pacientes com epilepsia necessitam de tratamentos que vão além da medicação convencional, tais como dispositivos médicos estimuladores. Nobrega criticou a lentidão na incorporação dessas tecnologias ao SUS, alertando que o ciclo de inovação de um dispositivo médico é curto e, se a incorporação não ocorrer rapidamente, o tratamento pode se tornar obsoleto antes mesmo de chegar aos pacientes.

Entre as propostas discutidas por representantes de entidades, destacaram-se a criação de um painel público para monitorar o risco de desabastecimento de medicamentos, a implementação de penalidades para fornecedores que não cumpram contratos e a promoção de incentivos à produção de medicamentos que apresentam baixo interesse comercial.

Isabella D’Andrea, da Associação Brasileira de Epilepsia, trouxe à tona as implicações emocionais e sociais da dificuldade de acesso aos medicamentos. A representante ressaltou que os problemas não se limitam ao aspecto da saúde; a ansiedade gerada pela instabilidade no tratamento afeta a qualidade de vida dos pacientes. A falta de medicamentos na farmácia pode levar os indivíduos a depender de amigos e da comunidade para manter seu tratamento, o que gera um impacto ainda maior em suas vidas diárias.

Por sua vez, Jans Izidoro, representando o Ministério da Saúde, reconheceu a falha no monitoramento do abastecimento, um fator que impede ações preventivas eficazes por parte do governo. Ele mencionou que o ministério está desenvolvendo um novo sistema de punições para fornecedores e também um modelo de compras emergenciais que poderá ser aplicado tanto em nível federal quanto pelas secretarias estaduais de saúde.

Com a conjuntura apresentada, torna-se urgente que medidas efetivas sejam implementadas para garantir que os pacientes com epilepsia tenham acesso a medicamentos e tratamentos necessários, resguardando assim sua saúde e bem-estar.

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