Um ponto central da discussão foi o apoio ao Projeto de Lei 3246/21, que propõe a criação de um Programa de Prevenção e Tratamento da Endometriose. O projeto abrange medidas como avaliações médicas periódicas, campanhas educativas e o treinamento contínuo de profissionais de saúde dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Os participantes concordaram que a implementação de uma política nacional ajudaria a padronizar os cuidados, promovendo um tratamento mais equitativo em todas as regiões do país.
O médico Guilherme Karam, especialista na área, salientou que a criação de políticas de saúde consagradas e sincronizadas é fundamental para garantir que todas as mulheres tenham acesso ao tratamento necessário. Segundo Karam, existem mais de 7 milhões de mulheres em idade reprodutiva no Brasil que enfrentam a endometriose, mas muitas delas não recebem o diagnóstico adequado a tempo. A subnotificação da doença é uma das grandes questões que precisam ser abordadas.
A deputada Rosana Valle, que foi responsável por solicitar a audiência, enfatizou a importância de se estabelecer protocolos abrangentes que incluam campanhas educativas nas escolas e melhor capacitação para médicos, a fim de aprimorar o acolhimento e o encaminhamento das pacientes. Esses protocolos visam assegurar que a transição entre estados não interrompa o tratamento das mulheres, um problema frequentemente enfrentado.
O debate também trouxe à tona experiências pessoais. A jornalista Caroline Salazar compartilhou sua trajetória, que incluiu 28 anos de dores severas e um diagnóstico tardio, ressaltando a urgência de capacitar os profissionais de saúde para reconhecer e tratar a endometriose de forma eficaz. Além disso, projetos de lei que tramitam no Congresso propostas que buscam melhorias na assistência à saúde das mulheres com endometriose, reforçando a importância da luta por uma política nacional de conscientização e tratamento.
O compromisso das autoridades e o empenho de especialistas e ativistas podem ser cruciais para mudar a realidade enfrentada por muitas mulheres, permitindo um futuro onde o diagnóstico e tratamento da endometriose sejam mais acessíveis e adequados.
