CAMARA DOS DEPUTADOS – Deputado Bruno Farias alerta sobre a crise do piso salarial na enfermagem e ameaça greve nacional se governos não atenderem demandas da categoria.

Desafios da Enfermagem no Brasil: Cumprimento do Piso Salarial é Apelo Urgente

Em um cenário marcado por desafios, o deputado Bruno Farias, do Republicanos-MG, reafirma a luta pelo cumprimento do piso salarial nacional da enfermagem, uma questão que se mantém em evidência. Em entrevista ao programa Painel Eletrônico, veiculado na Rádio Câmara, durante as celebrações do Dia Internacional da Enfermagem, celebrado em 12 de maio, ele expressou sua preocupação com a falta de adesão à legislação que estabelece os salários mínimos da categoria.

Instituído pela Lei 14.434/22, o piso salarial estipula um valor de R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras. Apesar dessa base legal, muitos entes públicos e privados têm se esquivado de cumprir essa determinação. Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que trataram da aplicação do piso de acordo com a jornada de trabalho, apenas complicaram ainda mais a situação, deixando os profissionais vulneráveis a uma realidade de remuneração desigual.

Farias não hesita em declarar que, se os níveis federal, estadual e municipal não se mobilizarem para apoiar os enfermeiros, a categoria pode se ver compelida a convocar uma greve nacional. Ele argumenta que a carga de trabalho enfrentada por esses profissionais é desproporcional ao que recebem. “Nós não vamos aceitar isso”, enfatizou, sinalizando um descontentamento que se intensifica a cada dia.

No dia 12, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública, a pedido de Farias, para discutir especificamente essas questões. Uma homenagem ao Dia Internacional da Enfermagem está programada para o dia seguinte, 13 de maio, ressaltando a importância do debate em torno da valorização dessa profissão.

A Emenda Constitucional 127, que prevê assistência financeira da União para ajudar a implementar o piso salarial, está sob revisão no STF, criando um clima de incerteza. O Supremo Tribunal decidiu de forma provisória que o piso deve ser proporcional a uma jornada de 44 horas semanais, criando possíveis distorções para quem trabalha menos horas.

Diante desse cenário, o deputado pleiteia a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 19/24, atualmente em tramitação no Senado. Esta proposta busca vincular o piso salarial à carga de 36 horas semanais, além de garantir reajustes anuais. Farias questiona a lógica de um piso mínimo baseado em uma jornada de 44 horas, destacando que a maioria dos serviços públicos não opera sob essa carga. “Além de receberem salários baixos, os enfermeiros enfrentam sobrecargas e problemas de saúde mental”, acrescentou.

Dessa forma, o movimento em prol do piso salarial da enfermagem reflete uma luta não apenas por justiça financeira, mas também pelo reconhecimento do valor dos profissionais que atuam na linha de frente da saúde pública. O futuro da enfermagem no Brasil depende de um comprometimento real dos governantes em honrar e respeitar esses direitos.

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