CAMARA DOS DEPUTADOS – “Debate na Câmara propõe transformar Petrobras em empresa de energia sustentável para promover transição dos combustíveis fósseis em meio a urgência climática”

Na última terça-feira, 16 de junho de 2026, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados promoveu um debate crucial sobre a transição energética no Brasil, reunindo ambientalistas e representantes do governo federal. O foco da discussão foi um projeto de lei que visa mapear o caminho para uma economia com menores emissões de carbono e o objetivo audacioso de alcançar o desmatamento zero no país.

Essa iniciativa legislativa, conhecida como PL 6615/25, busca estabelecer diretrizes para uma transição justa que substitua os combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, por fontes de energia renováveis e menos poluentes. Durante a audiência, o físico Shigueo Watanabe, integrante do Instituto ClimaInfo, abordou a delicadeza deste processo de transição, comparando a dependência do petróleo à necessidade de uma transfusão de sangue em movimento: “A mudança é um desafio complexo, mas essencial para a sustentabilidade da nossa economia”, afirmou.

A parlamentar Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e relatora do projeto, enfatizou que a Petrobras deve mudar seu foco, saindo da produção de petróleo e se transformando em uma empresa voltada para a produção de energia renovável. Esta mudança de paradigma pode ser um passo significativo para o Brasil trilhar um caminho mais sustentável.

Durante o debate, o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Marlon Arraes Jardim, ressaltou a ainda atual importância dos combustíveis fósseis, citando a existência de aproximadamente 2 bilhões de motores de combustão interna no mundo. Ele ressaltou que a redução da demanda por esses combustíveis é fundamental para uma transição eficaz, e que isso resultaria em uma diminuição natural da oferta.

Além disso, ambientalistas expressaram preocupações com a demora na publicação do “mapa do caminho” nacional, que estava previsto para ser divulgado em fevereiro. A especialista Stela Herschmann, do Observatório do Clima, insistiu na importância do mapeamento global apresentado pela presidência brasileira da COP30, destacando que ele oferece uma estrutura que avalia a dependência dos países de combustíveis fósseis e sua prontidão para a transição.

Neste contexto, a ONG Clima de Política lançou a campanha “Fora publicidade fóssil”, que busca restringir a publicidade de produtos relacionados a combustíveis fósseis, em comparação com as restrições já existentes para produtos nocivos à saúde, como o tabaco. A campanha chama a atenção para o impacto mortal da poluição do ar, que resulta em cerca de 7 milhões de mortes anualmente.

Esses debates e iniciativas refletem um movimento crescente no Brasil em direção a uma política de energia mais limpa, que visa não apenas o progresso econômico, mas também a preservação ambiental para as futuras gerações.

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