A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) reportou que os prejuízos totais em 2025 atingiram R$ 11,3 bilhões, dos quais R$ 7,8 bilhões foram repassados aos consumidores. Para 2024, as perdas totalizaram 40 terawatts-hora, correspondendo a 6,6% de toda a energia injetada no sistema nacional, com um custo total estimado em R$ 10,3 bilhões. Esta quantia foi repartida entre consumidores, distribuidoras e o setor público.
Flávia Pederneiras, gerente de regulação econômica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), destacou durante a audiência que nem todos os furtos são considerados para o rateio. Ela explicou que a agência analisa as distribuidoras em um ranking que leva em conta a complexidade das áreas atendidas. Regiões como o Norte e Sudeste do Brasil têm enfrentado os maiores índices de perdas não técnicas, com empresas específicas, como a Amazonas Energia e a Light, apresentando impactos diretos nas tarifas de seus clientes.
No Amazonas, por exemplo, estima-se que a tarifa poderia ser reduzida em cerca de 13% se não houvesse consumo ilegal. Já a Light poderia oferecer uma tarifa 9,1% menor. Além desse panorama, o aumento dos furtos de cabos elétricos também chamou a atenção, com 25 mil ocorrências registradas em 2025, resultando em prejuízos de R$ 97 milhões e mais instabilidade no fornecimento de energia.
A situação foi amplamente examinada pelo Tribunal de Contas da União, que identificou uma série de fatores que agravam o problema, como a complexidade geográfica de algumas áreas e a violência que restringe a operação das distribuidoras. André Carneiro, chefe da auditoria do TCU, referiu-se a essa realidade como um “imposto invisível” que encarece as tarifas para os consumidores, exacerbando um ciclo vicioso que leva a mais perdas e elevação dos custos.
Diante desse cenário complicado, a presidente do Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica pediu uma reformulação da metodologia de tarifação, atendendo a necessidade de reconsiderar como as tarifas são definidas, especialmente para as classes de renda mais baixa. O deputado Julio Lopes, coordenador da comissão, enfatizou a necessidade de se buscar soluções viáveis para mitigar esse problema financeiro que impacta diretamente o bolso dos consumidores, propondo medidas como a adoção de “tarifas inteligentes” que considerem a localização do imóvel e as peculiaridades operacionais de cada região.
A discussão aponta não apenas para um desafio regulatório, mas também para a urgência de políticas públicas que efetivamente enfrentem os problemas estruturais do setor elétrico no Brasil.
