CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados avança na criminalização da misoginia com novas propostas e busca mudanças culturais para enfrentar a violência contra mulheres.

Em um encontro realizado em São Paulo, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), coordenadora do grupo de trabalho da Câmara dos Deputados responsável pela análise do projeto de lei que visa a criminalização da misoginia, apresentou novas propostas e incentivou as participantes a contribuírem com sugestões. Amaral espera que a votação do projeto ocorra antes do recesso parlamentar, que ocorre entre 18 e 31 de julho.

O evento fez parte do programa Câmara pelo Brasil e ocorreu em um contexto em que a proposta, já aprovada pelo Senado, redefine a misoginia como um crime equiparado ao racismo. Essa mudança implica que os crimes motivados por misoginia se tornem inafiançáveis e imprescritíveis, com penas que variam de dois a cinco anos de reclusão.

Entre as atualizações sugeridas por Amaral, destaca-se a punição a grupos que disseminam discursos de ódio contra mulheres nas redes sociais. A deputada esclareceu que essas práticas, muitas vezes ligadas à monetização de conteúdos por influenciadores, demandam uma resposta mais assertiva e abrangente. A nova versão do projeto propõe que aqueles que incitam ou induzem à misoginia em ambientes virtuais enfrentem penas de um a três anos de prisão, além de multas. A proposta também inclui a suspensão das contas utilizadas para a prática criminosa.

Durante o debate, Fabíola Sucasa, procuradora do Ministério Público de São Paulo, enfatizou que a criminalização por si só não resolverá o problema da violência contra as mulheres, sugerindo que deve haver um esforço conjunto para promover uma mudança cultural. Ela asseverou que a conscientização coletiva é fundamental para erradicar a discriminação e a violência.

A filósofa Djamila Ribeiro, que também participou do evento, ressaltou a importância de debater publicamente questões como a misoginia. Segundo ela, a participação da sociedade nas discussões é crucial para desenvolver uma proteção mais robusta e eficaz para as mulheres, num país onde o ódio de gênero ainda é prevalente.

Com um quadro que mescla expectativa e responsabilização social, o projeto de lei em questão se posiciona como uma iniciativa significativa para fortalecer as políticas de proteção às mulheres e fomentar um debate necessário sobre desigualdade de gênero e as suas repercussões na sociedade.

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