CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Analisa Projeto Que Proíbe Cassinos On-line e Apostas em Plataformas Algorítmicas, Visando Reduzir Riscos de Dependência e Inadimplência

Projeto de Lei Proíbe Cassinos Online Algorítmicos e Aponta Riscos de Apostas

No cenário contemporâneo das apostas online, um novo projeto de lei, de número 2258/26, tramita na Câmara dos Deputados com o intuito de proibir não apenas a operação, mas também a publicidade de cassinos online algorítmicos, que incluem caça-níqueis digitais e o popular “Jogo do Tigrinho”. A proposta, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), revoga uma parte da Lei 14.790/23, a qual atualmente permite apostas em eventos virtuais, mas mantém as normas para apostas de quota fixa baseadas em eventos esportivos reais, além de manter a operação das loterias oficiais.

A medida se aplica a todas as plataformas, independentemente de sua localização geográfica, o que significa que até mesmo sites sediados no exterior, acessados por brasileiros, estarão sujeitos a esta proibição. A abrangência da lei é significativa, pois impede que qualquer forma de jogo online, que não se baseie em eventos reais, seja realizada no país.

Pimenta, em sua justificativa para o projeto, sublinha os dados alarmantes de um estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que revela que os brasileiros apostaram cerca de R$ 240 bilhões em plataformas online no ano de 2024. Mais preocupante, o estudo aponta que esse comportamento pode ter gerado perdas de R$ 103 bilhões para o comércio tradicional e levado 1,8 milhão de pessoas a situações de inadimplência.

Além disso, o deputado menciona uma nota técnica do Banco Central que revela que cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram coletivamente R$ 3 bilhões em apostas por meio do sistema de pagamento Pix no mesmo ano. Para Pimenta, a natureza dos cassinos online representa um risco exacerbado à dependência do jogo, já que os resultados são determinados por algoritmos e não por eventos verificáveis. Ele critica a falta de transparência, ressaltando que o apostador não está competindo contra um evento externo, mas sim contra um sistema que pertence ao próprio operador, o que levanta sérias questões sobre a confiabilidade dessas operações.

Após sua apresentação, o projeto de lei será encaminhado às comissões pertinentes, onde passará por análises adicionais. Para se tornar lei, a proposta necessita da aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado, um processo que poderá gerar discussões acaloradas, considerando o impacto social e econômico das apostas online no Brasil.

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