Durante o debate, representantes do Ministério da Saúde e da Anvisa enfatizaram a importância da cautela nas investigações, alertando para a necessidade de comprovações clínicas antes da liberação do uso geral do medicamento. Em janeiro de 2026, a Anvisa já havia autorizado a primeira fase dos testes clínicos, que irá incluir cinco voluntários de idades variadas que sofreram lesões completas da medula espinhal em intervalos de até 72 horas. O estudo é crucial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.
Apesar da urgência, muitos pacientes têm buscado o acesso à polilaminina através do mecanismo de “uso compassivo”. Essa abordagem permite que pessoas com condições graves e sem alternativas de tratamento usem medicamentos em fase de teste. Sampaio mencionou que, embora relatos iniciais sobre o uso do medicamento sejam encorajadores, não é possível afirmar sua eficácia com base em evidências científicas até o início dos estudos formais.
A pesquisa é inovadora no cenário nacional, conforme observou Maria Francesca Riccio, gerente de pesquisa clínica do Cristália. Ela ressaltou que a autorização da Anvisa para esta fase inicial de testes é um marco, uma vez que muitos estudos desse tipo são realizados fora do Brasil. No entanto, Claudiosvam Martins Alves de Sousa, especialista da Anvisa, sublinhou a natureza ainda experimental do tratamento, esclarecendo que apenas os ensaios clínicos poderão fornecer os dados necessários para uma futura aprovação.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) e a representante do Ministério da Saúde, Cecília Menezes Farinasso, reiteraram a necessidade de evidências concretas antes da incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde. Para que isso ocorra, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) exige comprovações robustas sobre a segurança e eficácia do novo medicamento.
Na audiência, o deputado Átila Lira (PP-PI), um dos proponentes da discussão, enfatizou a importância de facilitar o financiamento para pesquisas científicas, enquanto Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) defendeu que um investimento contínuo na ciência poderá gerar soluções inovadoras que beneficiem não apenas o Brasil, mas toda a humanidade. A expectativa agora repousa na conclusão dos testes clínicos, que prometem esclarecer o potencial da polilaminina na medicina moderna.
