CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara aprova suspensão de norma que pode afetar produção de cacau e protege lavouras nacionais contra riscos fitossanitários da importação da Costa do Marfim.

Em uma importante decisão, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo (PDL) que visa suspender os efeitos de uma norma do Ministério da Agricultura, estabelecida em 2021, que regulamenta os procedimentos fitossanitários para a importação de amêndoas secas de cacau provenientes da Costa do Marfim. O projeto, que agora segue para apreciação no Senado, é de autoria do deputado Zé Neto (PT-BA) e tem como objetivo revogar a Instrução Normativa 125/21.

Esta norma havia eliminado a obrigatoriedade do uso de brometo de metila no tratamento das amêndoas de cacau importadas do país africano. Essa substância, amplamente reconhecida por seus efeitos prejudiciais à camada de ozônio, é uma preocupação central para especialistas em saúde ambiental e agricultura sustentável. O autor do PDL argumentou que a norma foi elaborada sem a consulta dos produtores brasileiros, os quais expressaram temores sobre a possibilidade de contaminação das lavouras nacionais por micro-organismos nocivos.

Embora, desde 2011, o governo não exigisse o uso do brometo de metila, normas posteriores ainda mantinham exigências de controle sanitário, que foram posteriormente revogadas pela norma que agora está sendo contestada. A justificativa do governo na época, liderado por Jair Bolsonaro, era de que o risco de introduzir pragas por meio da importação de amêndoas secas era baixo, requerendo apenas a certificação fitossanitária emitida pela Costa do Marfim.

O relator do projeto, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), manifestou sua preocupação com a decisão anterior, classificando a continuidade desse fluxo comercial como uma ameaça à saúde do parque cacaueiro brasileiro. Marinho destacou que essa prática compromete a competitividade dos produtores locais, fazendo com que os preços do cacau caíssem a níveis que não cobrem nem mesmo os custos de colheita.

Durante o debate em plenário, outros deputados, como Evair Vieira de Melo (PP-ES), também expressaram suas preocupações sobre a responsabilidade sanitária e a competição desleal com outros países que não seguem os mesmos rigorosos padrões ambientais e de saúde do Brasil. A proposta foi recebida com apoio significativo entre os legisladores, que acreditam que a medida é essencial para proteger as lavouras nacionais e garantir a sustentabilidade da produção cacaueira no Brasil.

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