Em termos práticos, o protocolo concede ao presidente de um país-membro, ou ao seu ministro das Relações Exteriores, a prerrogativa de solicitar uma sessão especial do Conselho do Mercado Comum sempre que detectar uma possível ruptura ou ameaça à democracia, bem como a violação das normas constitucionais. Essa assembleia, conhecida como “sessão ampliada”, tem como objetivo promover diálogos imediatos com as autoridades de um país em crise, buscando facilitar a restauração da ordem democrática.
Até o momento, somente Argentina e Uruguai ratificaram oficialmente o documente, o que torna essencial que os quatro países concordem para que o protocolo comece a vigorar plenamente. Durante a referida sessão especial, será analisada a situação por meio de consultas com as autoridades constitucionais do país que enfrenta problemas democráticos. Caso essas negociações não produzam resultados, os líderes dos outros países membros decidirão, por consenso, quais medidas serão adotadas.
As ações a serem implementadas variam conforme a gravidade da situação em questão, mas sempre devem respeitar os direitos humanos e a soberania nacional. Entre as medidas possíveis estão a suspensão da participação do país em órgãos do Mercosul, o fechamento total ou parcial de fronteiras terrestres e a limitação de comércio e comunicação. Além disso, pode haver sanções políticas e diplomáticas adicionais, conforme a necessidade.
A existência desse protocolo representa um avanço nas normas de cooperação e na defesa dos valores democráticos no Mercosul, que foi fundamentado pelo Tratado de Assunção. Esta nova abordagem tem como meta garantir que os países da região possam enfrentar juntas as adversidades que ameaçam a democracia e a paz social, promovendo soluções pacíficas e eficazes para conflitos internos.
