CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara Aprova Projeto que Restringe Atuação de Empresas nos Juizados Especiais Cíveis e Encaminha ao Senado

Em uma votação marcante, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira, 8 de maio de 2026, o Projeto de Lei 4239/23, de autoria do deputado Acácio Favacho, do MDB do Amapá. A proposta visa limitar a atuação de empresas em processos nos juizados especiais cíveis, estabelecendo uma proibição para que pessoas jurídicas possam realizar pedidos contrapostos em ações nessas instâncias.

Os juizados especiais cíveis foram criados com o intuito de oferecer um acesso mais simples e ágil à justiça, permitindo que pessoas físicas e algumas categorias de empresas, como microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, possam resolver suas demandas de maneira rápida e menos onerosa. O pedido contraposto, que é um mecanismo que permite a parte demandada utilizar o mesmo processo para fazer uma cobrança ou solicitar algo contra quem ajuizou a ação, será restrito para aqueles que não têm legitimidade para atuar nesses juizados.

O texto da proposta agora seguirá para apreciação no Senado, a menos que ocorra algum recurso para que o Plenário da Câmara a analise novamente. O relator da proposta, deputado Ricardo Ayres, do Republicanos de Tocantins, manifestou-se a favor da aprovação do projeto, argumentando que a mudança preserva a essência das regras que governam os juizados especiais. Ele destacou a importância de manter características como simplicidade, informalidade e rapidez nos processos.

Ayres também alertou que práticas abusivas por empresas de maior porte, que se valem do contexto atual para realizar diversas cobranças, têm comprometido o funcionamento dos juizados. Ao afirmar que “muitas empresas se aproveitam dessa possibilidade para fazer diversos tipos de cobrança”, o relator reforçou a necessidade de uma reforma que proteja os direitos dos cidadãos e mantenha a justiça acessível a todos.

Essa iniciativa é vista como um passo significativo na direção de um sistema judiciário mais justo e equilibrado, priorizando a proteção dos consumidores em detrimento de práticas empresariais que possam prejudicar o acesso à justiça nos juizados especiais.

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