O ministro Padilha afirmou que essa terapia não apenas salva vidas, mas também alivia a carga financeira das famílias. Ele ressaltou a importância de fomentar novas parcerias entre o SUS e a indústria farmacêutica para aumentar a produção nacional, promovendo um acesso mais sustentável aos tratamentos. Isso, segundo ele, pode contribuir para a redução da necessidade de intervenções mais radicais, como transplantes, além do uso excessivo de antibióticos.
Os dados revelados pelo Relatório Nacional de Monitoramento, elaborado pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística, indicam avanços impressionantes. O medicamento possibilitou uma diminuição de até 91,6% na necessidade de oxigenioterapia domiciliar e uma redução de até 90% nos transplantes pulmonares. Além disso, foi observada uma diminuição de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos e uma melhoria significativa na função pulmonar, com um aumento médio de 10 a 14 pontos.
O estudo, que monitorou 647 pacientes ao longo de um ano em 39 Centros de Referência no Brasil, constatou que outro indicativo importante da fibrose cística, o cloreto no suor, se reduziu com o uso do Trikafta, o que contribuiu para uma melhor qualidade de vida, incluindo fatores físicos e respiratórios.
A fibrose cística é uma condição genética rara que causa a produção de muco espesso, obstruindo pulmões e sistema digestivo. No SUS, o tratamento começa com um diagnóstico através do teste do pezinho na infância, seguido por um acompanhamento multidisciplinar em centros habilitados.
Os pacientes podem retirar o Trikafta nas farmácias de alto custo em todo o país, mediante apresentação de receita médica. Desde a sua incorporação ao SUS, em 2023, o medicamento se tornou acessível a pacientes a partir de seis anos que possuem, ao menos, uma mutação F508del no gene CFTR, essencial para o correto funcionamento de células que controlam a passagem de sal e água.
Até o momento, mais de 6 milhões de unidades do medicamento foram entregues pelo Ministério da Saúde, que investiu R$ 2,8 bilhões nesse programa. Essas medidas não apenas transformam a realidade dos pacientes, mas também estabelecem novas esperanças por um tratamento mais eficaz e acessível para a fibrose cística em todo o Brasil.




