Brasil precisa repensar hábitos alimentares e aumentar consumo de pescado, afirma ministro da Pesca durante programa de rádio sobre desafios da aquicultura no país.

Em uma audiência nesta quinta-feira, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, enfatizou a urgência de uma transformação nos hábitos alimentares dos brasileiros, defendendo um aumento no consumo de pescado. Durante sua participação no programa “Bom Dia, Ministro”, Araujo destacou que “comer peixe significa ter uma vida melhor”, abordando a disparidade alarmante entre o consumo brasileiro e o padrão global. Enquanto a média mundial se aproxima de 20 quilos de pescado por ano por pessoa, o Brasil fica bem abaixo dessa marca, com apenas 12 quilos.

Araujo, que possui uma sólida formação acadêmica em Engenharia de Pesca e Ecologia, apresentou dados que revelam a concentração do consumo em regiões onde a pesca é uma prática cultural. Na Amazônia, por exemplo, o consumo pode atingir até 40 quilos por pessoa anualmente, e em comunidades pesqueiras tradicionais esse número pode chegar a impressionantes 120 quilos. No entanto, em áreas como o Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o consumo é alarmantemente baixo, com relatos de médias que não ultrapassam cinco quilos.

Outra questão importante abordada foi a venda direta de pescado, especialmente a forma como as novas exigências de documentação podem impactar pescadores de pequeno porte. Araujo expressou a necessidade de um diálogo construtivo sobre a legalidade e a qualidade do pescado vendido diretamente ao consumidor, especialmente nas praias, questionando a obrigatoriedade de passar por sistemas de inspeção, que muitas vezes pode ser um obstáculo para os pescadores artesanais.

O ministro ainda falou sobre o recente Acordo do Rio Doce, uma resposta ao desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem em Mariana, que afetou significativamente a comunidade pesqueira. Araujo detalhou o Programa de Transferência de Renda, que visa amparar os pescadores atingidos, ressaltando que cerca de R$ 500 milhões foram destinados a essa iniciativa, que já beneficiou aproximadamente 20 mil pescadores no Espírito Santo e em Minas Gerais.

O ministro concluiu sua participação no programa ressaltando a prioridade de sua gestão em promover a sustentabilidade da atividade pesqueira, levando em conta tanto a saúde pública quanto o bem-estar dos trabalhadores do setor.

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