Brasil Avança em Tecnologias de Voo Hipersônico com Inspiração no 14-Bis e Busca Inserção no Cenário Global

O Brasil está dando passos significativos na busca pelo domínio das tecnologias de voo hipersônico, um campo ainda restrito a poucas nações, como Estados Unidos, Rússia e China. Comemorando o centenário do histórico 14-bis, de Santos Dumont, a Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou o projeto 14-X, que visa desenvolver as capacidades necessárias para a conquista dessa nova fronteira tecnológica.

O projeto, formalmente chamado Propulsão Hipersônica 14-X (PropHiper), é fruto de uma colaboração entre o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), ambos vinculados à FAB. Desde o primeiro teste em dezembro de 2021 no Centro de Lançamento de Alcântara, onde atingiu altitudes acima de 30 km e velocidades próximas a Mach 6, houve um avanço considerável. O governo atual, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu como meta a conclusão de um sistema nacional de voos hipersônicos até 2033, englobando esse objetivo no programa Nova Indústria Brasil (NIB).

Atualmente, o foco do projeto 14-X está no desenvolvimento de motores scramjet, que podem potencialmente dobrar a velocidade do som ao utilizar o ar da atmosfera para a combustão. Além disso, a inauguração do Túnel Hipersônico T5, em São José dos Campos, marca um avanço na capacidade de pesquisa do Brasil. Este túnel é considerado um dos mais avançados do hemisfério Sul e permitirá a realização de testes em escala maior, possibilitando a validação de teorias já desenvolvidas.

Apesar desses avanços, há consenso entre especialistas de que o Brasil ainda está nos estágios iniciais nessa tecnologia. Um professor da Universidade Federal do ABC comparou a situação atual à de alguém que deu apenas cinco passos em uma caminhada de cem. A construção e o financiamento contínuos de projetos são fundamentais para garantir o progresso, visto que a história tem mostrado desafios orçamentários em iniciativas semelhantes.

Além do potencial militar, os pesquisadores argumentam que o desenvolvimento de tecnologias hipersônicas pode se transformar em um ativo econômico, possibilitando futuras parcerias comerciais. Se o Brasil conseguir alcançar um nível elevado de desenvolvimento, poderá não apenas competir no cenário militar, mas também se estabelecer como referência tecnológica no mercado global. Assim, a corrida pelo domínio do voo hipersônico não se limita a questões de defesa, mas abre novas possibilidades de crescimento e inovação.

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