O Diário Oficial destacou mudanças na diretoria do IRM, com a nomeação de Paulo César Silva Costa e Vicente de Paula Loureiro, que ocupam as funções anteriormente mantidas por Mauricio Silva Knoploch dos Santos e Franquis Dias Nepomuceno. Ambos foram detidos durante a operação do Ministério Público que denunciou um esquema de desvio de aproximadamente R$ 86 milhões de recursos públicos.
Além das mudanças de pessoal, o governo determinou a suspensão do pagamento de todos os contratos vigentes no IRM, até que uma auditoria seja concluída. Esse processo será acompanhado por um grupo de trabalho formado por membros do instituto e da Controladoria-Geral do Estado (CGE), tendo um prazo de 30 dias para a finalização. Essa ação é uma tentativa de conter possíveis novos desvios enquanto a situação se normaliza.
A investigação, iniciada em 9 de outubro, revelou um complexo esquema criminoso que operava através do IRM, comprometedora entidade responsável por coordenar políticas públicas na Região Metropolitana do Estado. Segundo as denúncias, os acusados – incluindo diretores, um procurador e diversos servidores – utilizaram suas posições para fraudar licitações e garantir a continuidade de contratos irregulares. Isso permitiu que a autarquia, originalmente criada para promover melhorias em mobilidade e saneamento, se transformasse em um instrumento de enriquecimento pessoal.
As informações contidas na denúncia revelam um intrincado sistema de desvio, onde valores de contratos eram direcionados a empresas, que, por sua vez, transferiam os fundos para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), uma organização sem estrutura adequada. Esses recursos eram finalmente sacados em espécie, evidenciando a operacionalidade do esquema.
O juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, comentou que é “essencial” que as instituições do estado se esforcem para limpar a corrupção, afirmando que “o Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço”.
Entre os denunciados, destacam-se Davi Perini Vermelho, ex-presidente da Câmara de São João de Meriti e principal figura da teia de corrupção; Mauricio Silva Knoploch dos Santos, que estava à frente do planejamento e das licitações; e Franquis Dias Nepomuceno, delegado da Polícia Civil que controlava o fluxo financeiro do grupo. Outros nomes envolvidos também ocupavam cargos-chave dentro do IRM, mostrando que a corrupção estava entranhada nos mais variados níveis da administração pública.





