Bancos Globais Registram Lucros Históricos, Mas Oportunidades Estão em Fluxo de Pagamentos e Tecnologia: Brasil se Destaca com Pix e Open Finance

Em 2025, o setor bancário global alcançou um marco impressionante, registrando lucros de US$ 1,3 trilhão, superando todas as outras indústrias. No entanto, essa conquista não se traduziu em confiança no mercado, pois os bancos continuam a ser negociados com múltiplos abaixo da média, como indicam dados da McKinsey. Apesar da boa performance financeira, os investidores permanecem céticos quanto à sustentabilidade dos modelos tradicionais no cenário atual e futuro.

A análise desse fenômeno revela um aspecto intrigante: mais de 50% dos lucros dos bancos estão se originando fora do balanço patrimonial, derivados da gestão de transações e da distribuição de produtos, em vez do tradicional empréstimo de dinheiro. A competição por clientes está se deslocando para o fluxo de pagamentos, e o Brasil pode ser considerado pioneiro nesse sentido. O país investiu em uma infraestrutura robusta, como o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, e a iniciativa de Open Finance, que oferece uma nova forma de gerenciamento de dados financeiros, permitindo que essas informações sejam utilizadas de maneira mais eficiente e compartilhadas com entidades externas autorizadas.

A dinâmica tradicional dos bancos sempre esteve centrada na captura de depósitos, que são então emprestados; este modelo é considerado um “negócio de balanço”. No entanto, a penetração de capital nos bancos está em declínio. Em 2022, os balanços bancários comportavam 44% dos recursos intermediados no sistema financeiro global, número que deve cair para 40% em 2025. Cada vez mais, a gestão de investimentos e fundos cresce em popularidade, gerando receitas diferenciadas e tarifas em vez de spreads.

Essas transformações têm implicações significativas. As transações estão se tornando o novo motor das receitas, e um estudo aponta que 47% das receitas e 57% dos lucros bancários já provêm dessas operações fora do balanço. O Brasil, embora tenha registrado uma significativa queda nas margens financeiras—de 3,55% para 2,93% em apenas um ano—conta com um ambiente onde o varejo representa 56% da receita bancária total, refletindo uma concorrência acirrada por clientes em todos os níveis.

Além disso, a ascensão das fintechs no mercado, que já detêm 17% da receita disputada com os maiores bancos, evidencia uma mudança de paradigma. Ao contrário do que se observava anteriormente, onde a confiança nos bancos tradicionais era sólida, atualmente as fintechs estão superando as instituições financeiras convencionais em satisfação e confiança do consumidor.

Neste novo cenário, a capacidade de transformar dados e fluxo de pagamentos em informações de valor agregado será crucial. A verdadeira rivalidade não se dará apenas no aspecto financeiro, mas também na experiência que cada instituição consegue proporcionar a seus clientes. O crédito baseado em transações em tempo real, realizado com o consentimento do consumidor, representa uma tendência em crescente ascensão. Essa mudança possibilita que a avaliação do consumidor se baseie em comportamentos reais, em vez de análises pretéritos.

Portanto, a pergunta a ser feita é: o seu parceiro financeiro está preparado para ler e interpretar o fluxo de dados de maneira a oferecer experiências significativas, ou apenas processa transações? Esta nova realidade exige que instituições financeiras, sejam elas bancos ou fintechs, se adaptem às novas exigências do mercado, focando não apenas em capital, mas, sobretudo, na capacidade de interpretação e uso da informação.

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