Argentina Registra Queda Recorde no Consumo de Carne: Menos de 45 Quilos por Pessoa em 20 Anos

O consumo de carne na Argentina apresenta uma queda alarmante, atingindo seu nível mais baixo em duas décadas. Em abril de 2026, os argentinos consumiram anualmente apenas 44,5 quilos de carne por pessoa, um número bastante inferior ao registrado em 2006, que era de 63,4 quilos. Essa redução significativa se deve a uma soma de fatores que impactam diretamente a economia e o cotidiano da população.

Dentre os principais elementos que contribuem para essa queda, destaca-se o aumento acentuado nos preços da carne, que subiram mais de 60% apenas no último ano. Essa elevação no custo está intimamente ligada à produção pecuária, que tem enfrentado importantes desafios. A redução na oferta de carne é, em parte, resultado de questões ambientais e dificuldades na cadeia produtiva, afetando a disponibilidade desse alimento tão tradicional na dieta argentina.

Outro fator crucial para a diminuição do consumo é a perda do poder aquisitivo da população. Os salários têm crescido a um ritmo inferior à inflação, o que tem dificultado a compra de produtos básicos, como a carne. Com a queda no consumo interno, a Argentina, paradoxalmente, ampliou suas exportações de carne. No primeiro trimestre de 2026, as vendas externas cresceram 54%, ultrapassando a marca de um bilhão de dólares (aproximadamente R$ 5,06 bilhões). Essa expansão se deu após a flexibilização das restrições e o aumento da demanda no mercado internacional.

Além disso, em tempos de crise, iniciativas inovadoras também estão surgindo. Em algumas regiões, como a Patagônia, já se observa uma adaptação do mercado, incorporando produtos menos convencionais, como a carne de burro, que vem ganhando espaço entre os consumidores.

Esse cenário reflete uma situação complexa, onde, apesar das dificuldades enfrentadas pela população, o mercado externo se configura como um caminho para manter a economia ligada à pecuária em movimento. A realidade sugere que, enquanto os argentinos se adaptam a um novo contexto econômico, o futuro da indústria da carne do país precisará de reavaliações estratégicas para atender à demanda interna ao mesmo tempo em que satisfeita o mercado externo.

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