Apagões de até 10 horas no Equador geram crise econômica e ameaçam aumento do desemprego, alertam especialistas sobre impactos nas indústrias e comércio.

Nos últimos meses, o Equador enfrenta uma crise energética severa que resultou em apagões programados de até dez horas diárias, impactando diretamente a indústria e, consequentemente, o mercado de trabalho. A situação se agravou no início de outubro, quando o Centro Nacional de Energia (Cenace), órgão regulador do setor elétrico no país, anunciou a implementação de cortes no fornecimento de energia elétrica que afetariam não só as residências, mas também diversos setores industriais e comerciais.

O anúncio trouxe à tona preocupações dos empresários, que se mobilizaram por meio do Comitê Empresarial Equatoriano (CEE), exigindo um diálogo urgente com as autoridades do governo. Após reuniões iniciadas em 7 de outubro, o governo se comprometeu a analisar as medidas para mitigar os impactos previstos. No entanto, relatos indicam que mais de 200 fábricas em importantes parques industriais, como os de Cuenca e Ambato, já haviam sofrido os cortes, levando a uma perda estimada em cerca de 12 milhões de dólares por semana.

O economista José Orellana destacou que a crise energética se soma a outros problemas que já afligem o país, como altos índices de criminalidade e aumento da inadimplência, criando um ambiente econômico desfavorável. Ele prevê que, diante desse cenário, a economia equatoriana deverá registrar um crescimento negativo de até 1% do PIB ao final do ano. Os apagões não apenas comprometem a produção, mas geram prejuízos diretos, como a perda da cadeia de frio, crítica para indústrias de pescado, que é fundamental para as exportações.

Os desafios se estendem inclusive ao setor de serviços, onde muitos pequenos restaurantes se viram obrigados a reduzir suas operações ou demitir funcionários, trajetória semelhante observado durante a pandemia de COVID-19. Orellana acrescenta que, com a imposição de turnos noturnos, surgem novos desafios, uma vez que os custos aumentam devido ao adicional salarial previsto para trabalhadores nesse período.

Diante desses fatores, o especialista prevê um aumento no desemprego, que já atingiu 4% em agosto, uma alta em relação ao mesmo mês do ano anterior. Alguns casos concretos de demissões já começaram a ser reportados, como a metalúrgica Metaltronic, que anunciou a redução de 100 de seus 260 funcionários, um reflexo direto dos problemas causados pelos apagões.

A situação no Equador é um lembrete sombrio dos efeitos colaterais que crises energéticas podem ter sobre a economia e o bem-estar social, exigindo uma resposta rápida e efetiva das autoridades para mitigar danos e garantir a recuperação da indústria e do emprego.

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