Além dessa decisão, o STF também deliberou, com um placar de 7 votos a 3, sobre a quantidade de professores que podem ser cedidos para atuar em outros órgãos. Ficou estipulado que esse número não pode ultrapassar 5% do total de servidores efetivos em cada unidade federativa. Essa medida visa coibir a prática de ceder professores de forma excessiva, evitando a precarização do trabalho docente.
O relator do caso, Alexandre de Moraes, enfatizou a relevância de garantir uma remuneração digna para os educadores como parte fundamental do desenvolvimento do país. Em suas palavras, “para que o país pudesse crescer com a valorização da educação”, e criticou os obstáculos que, ao longo das décadas, impediram o Brasil de alcançar níveis adequados de investimento na área.
A questão da contratação de professores temporários foi abordada pelo ministro André Mendonça, que chamou atenção para a “perversidade de desproporção” em estados que optam por esses profissionais em vez de investirem na carreira de servidores permanentes. Para Mendonça, a extensão do piso nacional representa um reconhecimento à dignidade da profissão e um benefício direto à formação dos estudantes.
O decano Gilmar Mendes também reiterou a seriedade do tema, alertando que a melhoria das condições salariais não é apenas um justo reconhecimento ao trabalho dos professores, mas uma estratégia essencial para fomentar a dedicação à educação.
A proposta de limitar a cessão de professores foi elaborada pelo ministro Flávio Dino, que justificou a medida por questões fiscais e pela necessidade de garantir uma estrutura mais robusta de educação pública. Enquanto alguns ministros discordaram parcialmente, sugerindo um tratamento mais abrangente no âmbito do Plano Nacional de Educação, a decisão traz um novo cenário para o magistério, que, de agora em diante, contará com uma proteção mais forte e um reconhecimento de sua importância nas políticas públicas do Brasil.
Esse julgamento teve início a partir de um caso em Pernambuco, onde uma professora temporária buscou na Justiça a equiparação de seu salário ao piso nacional, ganhando o apoio do Tribunal de Justiça do estado. Agora, com a validação do STF, as diretrizes estabelecidas se estendem para todo o território nacional, reafirmando a importância da educação na construção de um futuro mais justo e igualitário.
