Alagoas: Palanque da Disputa Lulista Entra em Cena com Mudanças Estratéticas em 2026

A política alagoana começa a delinear um cenário que reflete, em escala local, o que ocorre em Pernambuco. No estado vizinho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o centro de disputas entre dois candidatos: João Campos, ex-prefeito do Recife e membro do PSB, partido historicamente alinhado ao lulismo; e Raquel Lyra, governadora do PSD, que busca se aproximar do governo federal para atrair parte do eleitorado próximo a Lula.

Em Alagoas, embora ainda não se tenha uma configuração tão clara, já é possível notar movimentos políticos que evocam essa comparação. Renan Filho, atual ministro dos Transportes e ex-governador, representa o palanque tradicional do presidente no estado. Com sua posição privilegiada no governo federal e laços estreitos com Lula, Renan é considerado o candidato natural para encampar as ideias e a base lulista na disputa eleitoral.

Por outro lado, a situação de João Henrique Caldas, conhecido como JHC, traz um novo elemento à disputa. O ex-prefeito de Maceió, que recentemente deixou o PL e rompeu com Arthur Lira, migrou para o PSDB. Essa mudança não apenas significa uma ruptura com o contexto bolsonarista, mas também sinaliza uma tentativa de se posicionar mais ao centro, abrindo possibilidades de diálogo com o eleitorado lulista.

A relevância dessa transição se intensifica em meio à atual indefinição do PSDB em nível nacional. A sigla, que cogitou Ciro Gomes como candidato à presidência, ainda navega em águas incertas. Se não conseguir consolidar uma candidatura competitiva, os postulantes estaduais poderão buscar alternativas mais pragmáticas e alinhadas com a política local.

O cenário se complica ainda mais com a recente nomeação de Maria Marluce Caldas Bezerra para o Superior Tribunal de Justiça. Reconhecida como tia de JHC e procuradora de justiça em Alagoas, sua nomeação por Lula em 2025 intensifica as leituras políticas locais, sendo vista como um gesto para reduzir distâncias entre o ex-prefeito e o governo federal. Embora a nomeação tenha seguido todos os trâmites formais, sua repercussão sugere um sinal de aproximação.

Entretanto, essa leitura não indica uma adesão automática de JHC ao lulismo. O ex-prefeito ainda carrega um histórico de vinculações com a direita e sua transição para o PSDB reconfigura a praça política, Entretanto, abre a possibilidade de diálogo com diversos eleitorados, especialmente com aqueles que, mesmo sem estarem totalmente alinhados ao campo de Renan, não rejeitam automaticamente a figura de Lula.

Para Renan, o desafio será não permitir que o espaço político se expanda para JHC. Como ministro e candidato do MDB, ele tem plena intenção de se posicionar como a única figura representativa de Lula em Alagoas, utilizando a força do governo federal e sua relação histórica com o PT como ativos cruciais em sua campanha.

Por sua vez, JHC precisará demonstrar que sua candidatura vai além de uma mera dissidência da direita alagoana. Ele buscará estabelecer uma comunicação que ressoe tanto com o centro quanto com eleitores que reconhecem os avanços do governo Lula. Sua ruptura com Arthur Lira pode ser utilizada como símbolo de autonomia política, enquanto a adesão ao PSDB representa uma tentativa de reposicionamento que, se sair vitoriosa, poderá proporcionar uma margem de manobra no cenário eleitoral local.

Portanto, o paralelo com Pernambuco, embora não seja exato, se mostra pertinente. Enquanto João Campos se esforça para manter seu eleitorado alinhado ao governo, Renan enfrentará a possibilidade de uma concorrência semelhante de JHC. A eleição estadual pode, assim, ser exposta não apenas como um embate entre governo e oposição, mas também como uma disputa pela legitimidade de estar próximo a Lula, o presidente mais popular no Nordeste. Em 2026, Alagoas poderá vivenciar uma disputa multifacetada, onde não apenas o governo estadual será o foco, mas também a busca pela proximidade com a figura presidencial.

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